Brasil mantém hegemonia no Freio de Ouro da FICCC

 

A bandeira do Brasil mais uma vez encerrou no lugar mais alto do pódio em um evento internacional. Na disputa do Freio de Ouro da Federação Internacional de Criadores de Cavalos Crioulos (FICCC), os criadores brasileiros comemoraram a conquista de seus animais e celebraram a integração e o intercâmbio proporcionado pela raça. Na decisão da prova, realizada no início da noite de 27 de março na Sociedade Rural de Buenos Aires, na Argentina, Capanegra Oña Guinda e RZ Revuelto Cristal da Carapuça ficaram com os principais prêmios.

 

Em uma disputa vibrante, que emocionou o público que se fez presente em grande número, lotando as arquibancadas do pavilhão, os competidores deram um verdadeiro espetáculo de beleza e funcionalidade. Consolidando ainda mais a integração entre os países selecionadores da raça, a prova foi julgada por um trio formado pelo uruguaio Felipe Malfato, o argentino Ricardo Matho e o brasileiro Mário Suñe.

 

Mantendo o equilíbrio e com uma performance constante, desde as primeiras etapas, a vitória na categoria fêmeas foi de Capanegra Oña Guinda, de propriedade de Fernando Pons, da cabana Capanegra, montada por Roberto Carlos Ferraz Duarte. Nos machos, o vencedor foi RZ Revuelto Cristal da Carapuça, montado por Daniel Teixeira e exposto por Luizantero Peixoto e Vitélio Rigão, respectivamente da Fazenda Tarumã e da Estância da Conquista, que disputou em Buenos Aires a sua segunda ExpoFICCC.
 

Além desses, também garantiram a vaga na final do Freio de Ouro brasileiro as fêmeas Jotace Tranca, Divisa De Los Campos e Sananduva do Salton, assim como os machos Balaqueiro do Nonoai, o argentino Melideo Fugitivo e Harmonia Temprano.

 

Para Malfato, o nível da disputa foi equivalente ao brilho da festa proporcionada pelos anfitriões. O uruguaio salientou a atuação inédita de um trio de jurados com um integrante de cada país em uma disputa de Freio de Ouro e salientou as qualidades dos campeões. “O cavalo é um animal extraordinário, muito parelho, sério e maduro. E a égua nos chamou a atenção por mostrar em todas as etapas que estava sobrando”, diz.

 

Ricardo Matho afirmou que foi um desafio e uma responsabilidade muito grande julgar uma prova de tamanha qualidade, tanto nos machos quanto nas fêmeas, ainda que estas estivessem em um nível mais alto. “Agradeço a oportunidade à ABCCC, que me formou como jurado”. Finalizou.

 

Suñe pontuou que considera o Freio da FICCC uma prova única por reunir o melhor da produção de que cada país membro. “Os vencedores tiveram muito mérito pois a disputa teve alto nível, com destaque à fêmea pela prova mais acirrada”, comentou o jurado. Para o brasileiro, a disputa mostrou ainda que os demais países têm condições de trabalhar e competir em igualdade com o Brasil já que estão empenhados em qualificar a sua seleção funcional.

 

Campeões comemoram

 

Cumprimentos, abraços, choro. A comemoração pelos resultados finais do Freio de Ouro uniu os países participantes em uma celebração à raça. Para Enrique Tronconi, presidente da Associação Argentina de Criadores, o mais importante foi a integração entre os países. “Podemos falar castelhano, português ou guarani, e nos entendemos. O importante é que compartilhamos o mesmo gosto, a mesma forma de viver e montamos o mesmo cavalo”, diz.

 

Reforçando as palavras do gestor argentino, José Luiz Laitano, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) comentou que “mais importante do que a vitória ou não é estarmos juntos aqui, compartilhando experiências e falando de cavalos”.

 

E o clima de confraternização contagiou os criadores presentes, principalmente quem saiu premiado da pista. Exaltando a conquista de Oña Guinda, o administrador da cabanha Capanegra, José Francisco de Moura, destacou a origem e a história do animal. “A mãe dela é a base da cabanha e classificou quatro filhos no ano passado”, analisou, ressaltando também que o nível dos adversários valorizaram ainda mais a sua vitória.

 

Emocionado, Roberto Ferraz Duarte lembrou da história de 11 anos de trabalho na cabanha, falou sobre o animal e sobre o que representou o prêmio internacional. “Ela é um animal de muito boa cabeça e fez aqui o que fez no Freio. O prêmio foi um presente para mim e para a família que está torcendo em casa. Estou com 49 anos e espero que até ela me dê outro presente de 50 no Freio”. Duarte foi escolhido o Ginete Destaque da categoria enquanto que, nos machos, o prêmio foi para Cézar Augusto Freire.

 

Uma das torcidas mais animadas da prova incentivou RZ Revuelto Cristal da Carapuça do início ao fim. A família de Luizantero Peixoto, proprietário do animal junto de Vitélio Rigão, encerrou o dia erguendo ao lado do cavalo as bandeiras do Brasil e da cabanha. “Ele amadureceu muito e ratificou a sua qualidade funcional. Esse cavalo já foi chamado de vários apelidos e hoje ganhou outro: mister FICCC, pela sua participação em duas edições”, diz Peixoto, cuja família mobilizou dois ônibus até Buenos Aires.

 

Daniel Teixeira, ginete que montou Revuelto Cristal, salientou que em todas as saídas do cavalo, sempre voltou para casa com prêmios. “Ele se manteve numa constante, equilibrado. Tem um temperamento muito bom, não tem lesões, descansou desde o Freio e tem só quatro meses de trabalho. Isso foi importante para ele. Além disso, é um cavalo que tem estrela”.

 

 

 

Confira o resultado

 

Fêmeas

 

Freio de Ouro FICCC

Capanegra Oña Guinda, filha de Mackenna Guindo e Capanegra Alegria; criador e expositor Fernando Dornelles Pons, Cabanha Capanegra, Dom Pedrito/RS – Brasil

Ginete: Roberto Carlos Ferraz Duarte

Nota: 21,194

 

Freio de Prata FICCC

Jotace Tranca, filha de Jotace João Balaio e Jotace Lamparina; criador João Juraci Cantarelli e expositor cabanha Jotace e Estância Eldorado, Barra do Quaraí/RS - Brasil

Ginete: Raul Lima

Nota: 20,983

 

Freio de Bronze FICCC

Divisa De Los Campos, filha de Mackenna Guindo e AS Malke Mimosa; criador e expositor Aldo Vendramin, Estância Vendramin, Palmeira/PR – Brasil

Ginete: Fábio Teixeira da Silveira

Nota: 20,863

 

4º Lugar FICCC

Sananduva do Salton, filha de AS Malke Cartucho e Setária do Rincão do Barreto; criador e expositor Paulo Murilo Barreto Dias Lopes, cabanha Salton, Dom Pedrito/RS – Brasil

Ginete: Márcio Maciel

Nota: 20,601

 

Machos

 

Freio de Ouro FICCC

RZ Revuelto Cristal da Carapuça, filho de Chicão de Santa Odessa e BT Abadessa; criador Rubens Elias Zogbi e expositor Luizantero Pimenta Peixoto e Vitélio Rigão, Fazenda Tarumã e Estância da Conquista, Julio de Castilhos/RS e Lavras do Sul/RS – Brasil.

Ginete: Daniel Marim Teixeira

Nota: 21,306

 

Freio de Prata FICCC

Balaqueiro do Nonoai, filho de SBT Custódio e Etiqueta Tambaé; criador Fábio Vaccaro e expositor Condomínio Balaqueiro, cabanas Santa Luzia e Turra, Nonoai/RS – Brasil

Ginete: Cezar Augusto Shell Freire

Nota: 20,199

 

Freio de Bronze FICCC

Melideo Fugitivo, filho de Melideo Antifaz e Melideo Capucha; criador Carlos Felipe Tronconi e expositor El Socorro S. C., cabanha El Socorro – Argentina

Ginete: Pedro Móglia

Nota: 19,867

 

4º Lugar FICCC

Harmonia Temprano, filho de Ganadero da Harmonia e Coral Sombra; criador e expositor Harmonia Agricultura e Pecuária, cabanha Harmonia, Santa Vitória do Palmar/RS – Brasil

Ginete: José Fonseca Macedo

Nota: 18,934

 

Texto: Douglas Saraiva/ABCCC

Fotos: Felipe Ulbrich/ABCCC/Divulgação

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