Tecnologias de empresas públicas ganham destaque em Cachoeirinha

Os avanços em pesquisas voltadas para melhorar a qualidade do arroz com foco no desenvolvimento de cultivares resistentes a doenças e que aumentem a produtividade da lavoura estarão em pauta durante a vigésima sétima Abertura Oficial da Colheita do Arroz. O evento ocorrerá entre os dias 16 e 18 de fevereiro, na Estação Experimental do Arroz, do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em Cachoeirinha (RS). No dia 16, serão realizadas palestras sobre lançamentos de cultivares do Irga e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
 
O engenheiro agrônomo e gerente da Divisão de Pesquisa do Irga, Rodrigo Shoenfeld, destaca que vários painéis irão tratar de conceitos de uma agricultura que envolve a rotação de sistemas integrados com soja, com pastagens, junto com a questão das plantas daninhas e doenças. Em sua palestra “Manejo do 424 RI/CL buscando melhor qualidade na indústria e avanços na genética”, Schoenfeld vai falar da importância da qualidade do grão. Conforme o pesquisador, a 424 RI/CL está presente em mais de 60% da área cultivada com arroz no Rio Grande do Sul. “Entre os aspectos principais dessa cultivar estão a garantia de semente e semeadura de qualidade, densidade adequada, controle fitossanitário de pragas e doenças, cuidados na colheita e pós colheita”, explica.  
A cultivar Irga 424 RI/CL contém gene que confere resistência a herbicidas do grupo químico das Imidazolinonas. Ela é uma alternativa importante para lavouras que apresentam histórico de infestação por arroz vermelho. A cultivar apresenta como características morfológicas e agronômicas o alto potencial produtivo, alta capacidade de perfilhamento e resistência à brusone e à toxidez por excesso de ferro no solo. 
 

Já a palestra de Ariano Martins de Magalhães Júnior, engenheiro agrônomo, doutor em Melhoramento Genético de Plantas e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, intitulada “Desenvolvimento de cultivares de Arroz Irrigado da Embrapa para o Sistema ClearField: BRS A 701 CL e BRS Pampa”, vai tratar do controle químico do arroz vermelho, considerada a planta daninha que mais danos causa à lavoura de arroz no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, em decorrência das reduções de produtividade e qualidade do produto final, da dificuldade de controle, da extensão e do alto grau de infestação das áreas cultivadas. Além disso, ocorre o incremento dos custos de produção e redução do valor das terras agricultáveis.
 
Júnior destaca que o controle químico do arroz vermelho foi viabilizado pelo desenvolvimento do Sistema de Produção ClearField, baseado no uso de cultivares de arroz resistentes à herbicidas seletivos que controlam esta planta daninha em lavouras comerciais. Salienta que atualmente a Embrapa, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Irga e RiceTec, mediante convênios de cooperação técnica com a Basf, mantém programas de pesquisa em melhoramento genético e tecnologia de manejo para o aprimoramento do sistema.
 
No Estado gaúcho, o uso comercial desta tecnologia iniciou na safra 2003/2004, tendo a partir de então um crescimento rápido devido à eficiência de controle de arroz vermelho. Júnior afirma que atualmente é observado uma maior oferta de cultivares pelas instituições de pesquisa e a evolução constante da tecnologia de manejo, proporcionando maior segurança e rentabilidade do sistema. “O Rio Grande do Sul é coberto por mais de 70% da área cultivada com variedades CL. Neste sentido, a Embrapa apresenta seu novo lançamento comercial, a BRS A701CL”, informa Júnior.
 
A BRS A701CL é oriunda do retrocruzamento entre a cultivar comercial BRS 7 Taim e Cypress CL, fonte de tolerância aos herbicidas do grupo das imidazolinonas. Segundo Júnior, a cultivar apresenta ciclo médio, com boa tolerância ao acamamento e às doenças, além de ter um elevado potencial produtivo, principalmente na região da Fronteira Oeste do Estado.
 
O pesquisador salienta ainda que a Embrapa também faz esforços no sentido de viabilizar a liberação comercial da BRS Pampa CL, devido ao grande sucesso da versão não resistente à herbicidas. “Esta cultivar é oriunda do retrocruzamento entre BRS Pampa e Puitá INTA CL, apresenta ciclo precoce (118 dias) e moderada resistência à brusone. Se destaca pelo elevado potencial produtivo e pela qualidade dos grãos, sendo atualmente classificada pela indústria como grãos nobres”, afirma Júnior.
 
A Abertura Oficial da Colheita é organizada pela Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Mais informações podem ser obtidas no site www.colheitadoarroz.com.br.

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