Produtor deve ficar atento com a compactação do solo

Um dos temas mais importantes que refletem diretamente na produtividade das lavouras de soja e milho vem sendo amplamente abordado por empresas e entidades durante a Expodireto Cotrijal 2017, que ocorre nesta semana em Não Me Toque (RS). A compactação do solo é uma das principais preocupações de pesquisadores e extensionistas junto aos produtores. Quanto mais compactado é o solo, maior é a dificuldade de retenção de água, o que influencia no rendimento das plantas e gera consequente perda de produtividade.

 

Entidades como a Embrapa e universidades como a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que fomenta o projeto Aquarius, estão aproveitando a feira para fazer demonstrações aos produtores. A percepção é de que a produtividade é bastante afetada pela compactação. "A compactação é um problema que o produtor não enxerga, por isso é importante ter ferramentas para medi-la", destaca Marcio Albuquerque, especialista em agricultura de precisão e diretor da Falker.

 

Uma das indicações é que o produtor deve avaliar a compactação em campo e para isto existem diversas formas para a análise, desde abrir uma trincheira até usar instrumentos de medição. Porém, conforme Albuquerque, alguns produtores ficam apenas com a impressão da superfície de que o solo está duro. "Não fique com suspeitas ou impressões, trabalhe com números e registros, de forma a poder comparar a compactação entre as diferentes áreas e a evolução da mesma ao longo do tempo. Decisões que são tomadas com base em dados concretos e não apenas em impressões são as que trazem melhores resultados", observa.

 

O especialista lembra também que quando a medição é feita por medidores eletrônicos, existe praticidade para medir em diferentes pontos da lavoura e conhecer como a compactação está distribuída. As ações podem ser bastante diferentes se o problema ocorrer em área total ou apenas em pontos isolados. "Para quem trabalha com agricultura de precisão, é possível também gerar mapas de compactação do solo para comparar com outros mapas da área, como os de produtividade e fertilidade", indica Albuquerque.

 

Outro ponto, segundo o diretor da Falker, é que o produtor deve saber que a profundidade da compactação define o tipo de ação que será tomada e muitas vezes indica a origem da compactação. "O impacto para a cultura será muito diferente se, por exemplo, a camada compactada estiver a 15 ou 30 centímetros. E, nestes casos, as ações a serem tomadas também serão diferentes. A análise com medidores eletrônicos permite traçar o perfil do solo a cada centímetro, indicando não apenas a intensidade do problema, mas também a sua profundidade", explica.

 

Albuquerque reforça também que, de forma geral, a compactação limita a capacidade do solo de reter água, o que é ruim para cultivos irrigados ou de sequeiro. No entanto, as áreas irrigadas acabam sofrendo maior impacto, pois normalmente tem uso mais intensivo e trânsito de máquinas com alta umidade no solo. "Quando uma área irrigada está compactada, o sistema como um todo perde, pois o solo terá menos capacidade de reter água do que projetado. Com isto, pode ocorrer falta de água em camadas abaixo da zona compactada e excesso nas camadas superficiais", ressalta.

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