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Plano Safra não contempla especificidade da agricultura irrigada


A Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), avalia que o custeio para a agricultura irrigada deveria ter tido uma atenção especial no Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016, anunciado nesta terça-feira, 2 de junho. Com a alta dos custos de produção, especialmente no que diz respeito à energia elétrica, a análise é de que esta modalidade deveria ser vista com um olhar diferente pelo governo federal.

Segundo o presidente da entidade, Henrique Dornelles, de uma forma geral o governo, com o aumento de 20% do volume de recursos para a próxima safra, reconheceu a importância econômica da agropecuária para o país. Mas para o arroz, devido a crise instaurada com a alta dos custos e redução de preços, deveria haver uma atenção maior pelo fato de ser uma cultura irrigada. "Faltou realmente no plano uma distinção para a agricultura irrigada em função da grave crise energética que estamos vivendo. Isso nos decepcionou, foi um ponto negativo do plano", salienta, acrescentando que 90% do arroz consumido no Brasil é irrigado.

Para o dirigente, o Brasil vive uma restrição de crédito de forma generalizada e isto compromete o alimento básico do brasileiro. Explica que a situação é diferente de outras culturas em relação ao mercado. "Diferentemente de outras culturas como a soja que tem uma demanda por exportação muito elevada, o arroz é ligado ao mercado doméstico", observa.

Dornelles pede uma avaliação mais profunda dos custos de produção e dos preços mínimos para a cultura, que são reduzidos e acabam mascarando a realidade que se vê nas lavouras. A expectativa é que haja uma reavaliação urgente com medidas para que não comprometa a atividade. "Para os preços mínimos e custos de produção da atividade orizícola esperamos que seja publicado algo que realmente represente a realidade do setor. Hoje o produto está cotado em torno de R$ 34,00 e existe uma grande crise do setor que poderá comprometer a área do arroz. Muitos produtores poderão inclusive reduzir a área devido aos altos custos de produção", alerta.

O dirigente da Federarroz completa afirmando que para o mundo, a agricultura brasileira pode ser considerada sucesso, mas internamente, em termos sociais, é um verdadeiro fracasso, pois há sempre uma pressão por aumento de escala deixando o produtor familiar a mercê dos rumores econômicos e falta de renda. Reforça ainda que devido à limitação de infraestrutura, a renda está cada vez menor. "Tenho certeza que a ministra Kátia Abreu usou de toda sua influência com o objetivo de buscar uma melhor negociação para o setor agrícola, visto a fragilidade da economia brasileira e a necessidade de aperto fiscal", complementa.

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