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Intensificação produtiva em Terras Baixas pautou painel da Abertura da Colheita do Arroz


Antecipar as reflexões de como será a lavoura do amanhã foi um dos propósitos do painel Intensificação produtiva em terras baixas, na tarde desta quarta-feira, 15 de fevereiro, na 33º Abertura Oficial da Colheita de Arroz e Grãos em Terras Baixas. O evento, em Capão do Leão, é realizado pela Federarroz, com a correalização da Embrapa e Senar/RS e patrocínio Premium do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).


O debate sobre o futuro da lavoura foi moderado pelo diretor da Federarroz e Consultor Ares Agro Consultoria, André Matos, e teve início com o professor da UFSM, Pós-Doutor pela Texas A & M University, nos Estados Unidos, Enio Marchesan. Para ele, as reflexões são importantíssimas para que os responsáveis pelas políticas públicas agrícolas e planos de governo possam se antecipar aos cenários e fatos. “O que se espera da lavoura do amanhã? Bem claro, na minha opinião, é a potencialização do uso das áreas de terras baixas, várzeas pois são muito nobres para serem cultivadas apenas com o cereal”, apontou. “As oportunidades são múltiplas quando se começa a trabalhar com essas áreas, porque tem água,” complementou defendendo também a revitalização do arroz e sua responsabilidade com a segurança alimentar.


Marchesan também elencou que o futuro passa pela reconversão de áreas e adoção de novas tecnologias, repensar a drenagem e a irrigação com automatização “tudo o que se pode na lavoura porque os recursos humanos estão escassos e não conseguem fazer com a mesma precisão de uma operação automatizada.” Outra diferença, segundo ele, é a gestão financeira e de pessoas. “Na verdade é isso que faz a diferença e o grande desafio é fazer no momento de melhor resposta da planta no sistema porque dependemos, efetivamente, de pessoas”, explicou.


Manter os cultivos isolados do arroz, da soja, milho e do trigo e a integração lavoura-pecuária. E a “rotação das culturas tem que contemplar produtividade, sustentabilidade e renda”, detalhou, destacando que a relevância da precisão e controle nas operações. “A lavoura do amanhã passa por sistemas de produção e me preocupa o que nós estamos fazendo de pesquisa, entre empresas públicas e privadas, para enxergar esse desconhecido e tenhamos segurança”, avaliou, apontando ainda a necessidade de agregar valor ao arroz. “Estamos muito atrasados, temos que avançar muito nessa área”, entre outros desafios.


Já o consultor técnico do Irga e professor da Ufrgs aposentado, Paulo Régis Ferreira da Silva, abordou o cultivo do milho em terras baixas. Ele lembrou aos presentes que a cultura em terras altas vem reduzindo no Rio Grande do Sul em razão de preços baixos, 90% do cultivo não irrigado e maior custo para produção - comparado à soja. “Em contrapartida, o consumo está aumentando e há uma necessidade de importação de 3,5 milhões de toneladas. Então o Rio Grande do Sul vai ter que decidir: ou ele vai plantar milho ou as indústrias de aves e suínos vão migrar para o centro-oeste onde tem maior produtividade”, alertou, apontando o milho irrigado como alternativa, com lavouras de alta produtividade.


Nesse sentido, o milho é uma alternativa, segundo Silva, de diversificação de culturas em terras baixas, com benefícios agronômicos, financeiros e culturais. “A palavra chave hoje é a diversificação de fontes de rendas, propiciando melhor gestão de riscos climáticos, de preços e de produtos. É aquela velha história de não colocar todos os ovos no mesmo cesto”, afirmou, lembrando que os preços atuais e rentabilidades estão atraentes, sendo excelente oportunidade de negócio.


De acordo o consultor técnico do Irga e professor da Ufrgs aposentado, a falta de experiência dos orizicultores é um dos desafios para o cultivo. Entretanto, nas regiões mais quentes da Metade Sul é perfeitamente factível, com a sucessão do milho e da soja na mesma estação de crescimento”, declarou, avaliando que é pré-requisito adequação da área do plantio da cultura e cuidar a sensibilidade a resíduos de herbicidas do arroz, entre outros.


A programação completa assim como as inscrições para o evento, que ocorrerá de forma híbrida (virtual e online), e de forma gratuita, podem ser conferidas no site colheitadoarroz.com.br.


Foto: Carlos Queiroz/Divulgação

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