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Protesto do setor leiteiro marca maior concurso da raça Holandesa na Expointer


Empunhando a faixa que alerta para o risco de colapso no setor, os proprietários das vacas campeãs do concurso leiteiro da raça Holandesa receberam o tradicional banho de leite na tarde desta terça-feira, 29 de agosto, durante a programação da 46ª Expointer. O ato demonstrou a união dos produtores de leite do Estado na busca por soluções para os altos custos de produção e para a concorrência com o produto importado, que invadiu o mercado brasileiro.


Promovido pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), o banho de leite também serviu para fomentar a solidariedade. Em conjunto com o Sindicato das Indústrias de Lácteos (Sindilat), a Gadolando vai doar mais de 2,1 mil litros de leite para a prefeitura de Esteio (RS) distribuir às entidades assistenciais da cidade. O cálculo foi baseado no resultado das ordenhas vencedoras das vacas holandesas e jersey, multiplicado pelos dez dias de duração da Expointer.


Duas vacas da Granja Ferraboli, de Anta Gorda (RS), foram as maiores produtoras de leite desta edição da Expointer. Na categoria Jovem, Ferraboli 441 Natalia Unix se destacou, tendo produzido 78,55 quilos de leite na ordenha do dia. Já entre as adultas, a vencedora foi Festleite P Ferraboli 407 Supersire, que produziu impressionantes 82,69 quilos. As duas são os xodós da família Ferraboli, que as cria com sombra no verão, aquecimento no inverno e, claro, comida de qualidade. É o que revelou o proprietário dos animais, Paulo Ferraboli, orgulhoso do desempenho de suas pupilas. O negócio familiar começou com uma única vaca holandesa há 23 anos – hoje a propriedade mantém 88 vacas em lactação para uma produção média de 100 mil litros por mês. A esposa de Paulo, Dona Marlei, adiciona um segredinho extra para explicar o sucesso de suas vacas: “elas gostam muito de carinho”, acrescentou.


Paulo Ferraboli e a família foram alguns dos produtores que carregaram a faixa com o alerta sobre o risco de colapso no setor leiteiro gaúcho. “Hoje não nos sobra recursos para fazer investimentos. A conta não fecha mais”, lamentou. O presidente da Gadolando, Marcos Tang, salienta a importância de medidas de proteção para os produtores, que há anos vêm sofrendo com os altos custos de produção e que, em 2023, se depararam com um aumento vertiginoso nas importações de leite de países como Uruguai e Argentina. “O consumidor não está vendo vantagem nos produtos importados. A sociedade como um todo, consumidores e produtores, precisam se unir em favor da cadeia produtiva do leite”, apontou.


Ainda segundo Tang, os produtores decidiram participar da Expointer, mesmo com os problemas enfrentados. A exposição é o momento de reconhecer o investimento que os criadores fazem em genética e no manejo dos animais – os dois fatores que possibilitam resultados vultuosos como os demonstrados no concurso leiteiro. “Mesmo com todos os desafios, o produtor não parou de investir para produzir alimentos de qualidade”, finalizou Tang.

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