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Simpósio destaca qualidade do leite e da carne de búfalo


Qualidade do Leite e da Carne Bubalina, Cadeia Produtiva e Mercado dos Derivados foram os temas abordados no 6º Simpósio Gaúcho de Criadores de Búfalos. O evento promovido pela Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu) e o Grupo de Estudos em Bubalinocultura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Gebu/Ufrgs) ocorreu nesta sexta-feira, 14 de julho, na Faculdade de Agronomia da Ufrgs (Fagro), em Porto Alegre (RS). O evento contou também com troca de experiências e apresentação de trabalhos acadêmicos voltados para a bubalinocultura.


O Simpósio foi aberto pelo diretor da Fagro, Carlos Alberto Bissani, o diretor da Estação Experimental Agronômica (EEA), professor Rafael Dionello, e a presidente da Ascribu, Desireé Moeller. Bissani saudou os participantes destacando que o evento acontece na semana em que a Fagro completa 125 anos e que a parceria com a Ascribu traz projeção junto à comunidade e ganhos para a faculdade. Já Dionello ressaltou que buscam trabalhar para auxiliar a produção de bubalinos desde o começo da parceria, onde a estação experimental tinha apenas 9 animais e hoje conta com 35. A presidente da Ascribu destacou, por sua vez, que o búfalo é uma cadeia muito pequena, mas que a cada evento novos participantes estão presentes ao Simpósio. Salientou que o mercado é pequeno, mas em crescimento. “O Gebu é uma jóia que a universidade tem pelo trabalho excelente que executa”, afirmou.


Na primeira palestra do evento intitulada “Vivências práticas da criação de búfalas na EEA-Ufrgs”, a doutora Verônica Machado Rolim, médica veterinária da EEA-Ufrgs, traçou um panorama sobre a trajetória do búfalo dentro da universidade. Ela concentrou sua fala na divulgação de 53 trabalhos acadêmicos realizados por estudantes, mestrandos e doutorandos. Entre os trabalhos, Verônica destacou uma pesquisa de doutorado que trata da intoxicação por monensina em búfalos. “Achei interessante, também, um trabalho de conclusão de curso em que foram traçadas as variáveis econômicas do bubalino leiteiro”, contou. Os trabalhos com foco na produção leiteira foram destaque na fala da professora, que citou terem crescido os estudos em que os búfalos foram o tema central, a partir de 2017, quando iniciou a criação do rebanho próprio. As participações da Estação Experimental na Expointer 2022 e na Fenasul Expoleite 2023, também foram destacadas pela professora, bem como as parcerias público privadas que permitem a manutenção dos animais e desenvolvimento da produção leiteira. “Eu não conhecia búfalos até eles chegarem à Estação Experimental e nossas búfalas são dóceis e cativantes. Um animal incrível”, concluiu.


Dando sequência ao evento, a doutora Maria Cecília Florisbal Damé, médica veterinária e técnica na Embrapa de Pelotas (RS), falou sobre “Produção e qualidade do leite bubalino no Rio Grande do Sul”. A pesquisadora apresentou as características principais do leite de búfalas e sua composição. Também traçou um paralelo sobre a presença da caseína A1 no leite de bovinos, causando problemas intestinais. “Espécies bubalinas caprinas e ovinas não sofreram mutação e possuem caseína A2”, explicou. Ela disse, ainda, que morfologicamente a búfala se difere da vaca por ter o esfíncter do teto mais fechado, protegendo de doenças. “O leite bubalino pode ser considerado alimento de alto valor biológico, desde que não seja colocado junto a outros produtos, como em sorvetes que, assim como os refrigerantes, são considerados prejudiciais à saúde”, disse.


Na parte da tarde, a programação teve continuidade com a palestra sobre “A produção e qualidade da carne bubalina”. O doutor André Mendes Jorge, professor coordenador do Centro de Pesquisas Tropicais em Bubalinos na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), iniciou sua fala dizendo que não se deve comparar bubalinos com bovinos e perguntou se a carne de búfalo deve ser tratada como uma commodity. Segundo ele, esta resposta quem dará é o consumidor. O professor ainda apresentou a área experimental onde realizam pesquisa em bubalinocultura e que conta com diversas ferramentas tecnológicas dentro do conceito de agropecuária 4.0, como cocho eletrônico. “Cada animal dali eu sei o quanto comeu”, exemplificou Jorge, pois o brinco de alta frequência do animal é lido pelo sistema que registra toda a atividade, inclusive ingestão hídrica. “Lá em Botucatu, o búfalo passa o dia na sombra e água fresca. Vai se alimentar mais à noite e você precisa conhecer o comportamento do animal”, aconselhou.


O professor da Unesp também apresentou desafios para produzir a carne 4.0. Segundo André Mendes Jorge, entre os principais pontos está a atividade como sendo secundária, desconhecimento por parte do consumidor, abate clandestino e baixa remuneração por arroba, entre outras. “Falta linha de crédito, pois se o produtor chega lá para o gerente do banco e fala em búfalo, ele até se assusta”, brincou Jorge. Ele complementou sua fala com um desafio aos produtores como sendo essencial para o crescimento: “são pequenos, se unam”. “Eu realizei meu sonho que era montar o centro de pesquisa. Nunca deixe de sonhar”, disse, ao se dirigir aos alunos presentes ao simpósio.


Após a palestra de André Jorge, uma mesa redonda se formou com a presença dele e das palestrantes da manhã junto com o produtor Guilherme Aydos, da Cabanha da Herdade, de Gravataí (RS). Foram debatidas questões relacionadas ao mercado da carne de búfalo e criação, sendo salientada, principalmente, a importância da divulgação do produto junto ao consumidor.


Por meio de videochamada e com o tema “Pastejo Voisin”, o mestre Eduardo Barrantes, reitor do campus de Atenas da Universidade Técnica Nacional da Costa Rica, encerrou o Simpósio. Barrantes destacou a necessidade de conservação do solo na produção animal e que o manejo Voisin é mais do que rotacionar piquetes. “Há as famosas quatro leis: de repouso, onde a planta reserva energia para seu desenvolvimento; a lei da ocupação, que deve ser curta para que um pasto cortado num momento, não seja em outro na sequência, para se recuperar; a lei do rendimento máximo, onde animais que possuem exigências nutricionais mais elevadas possam colher a maior quantidade de pasto e que este seja da melhor qualidade possível; e finalmente a lei de rendimento regular quando é necessário que um animal não permaneça mais do que três dias em um mesmo piquete”, detalhou o costa riquenho.


O 6º Simpósio Gaúcho de Criadores de Búfalos também contou com a apresentação dos trabalhos do 4º Prêmio Sérgio Souza Fernandes com o tema Bubalinocultura, que será entregue em 31 de agosto, durante a Expointer 2023.

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