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Cooperação é alternativa para a pecuária conquistar mercados mais remuneradores e com alto potencial


Integrar os diferentes elos da cadeia produtiva da carne no Rio Grande do Sul foi a alternativa apresentada pelo médico veterinário e especialista em gestão Fábio Schuler Medeiros, da The Nature Conservancy, sendo o responsável por liderar parcerias estratégicas de pecuária em toda a América do Sul. Ele falou na 18ª edição do Prosa de Pecuária, realizada nesta terça-feira, 22 de novembro, no canal do YouTube do Instituto Desenvolve Pecuária. Com mais de 20 anos dedicados a empresas e cooperativas e filho de pecuarista, Medeiros fez um apanhado da pecuária no Brasil e apresentou o caminho para o sucesso no associativismo.


No começo de sua apresentação, Fábio Medeiros relatou que, do Pará para baixo, conheceu a pecuária brasileira de perto. Comparando com o Rio Grande do Sul, disse que a pecuária gaúcha não é fácil. “Temos potencial genético para produzir carne de qualidade, e este é um dos grandes desafios dos gaúchos: explorar este potencial”, disse ele. Citou que em outros estados o gado nelore melhorou muito sua genética e que há bois cruzados com zebu produzindo carne marmorizada, macia, suculenta e que agrada o paladar dos consumidores mais exigentes do Brasil e do mundo.


“Há um potencial de consumo de carne gourmet de 450 a 550 mil toneladas”, afirmou o especialista. Medeiros também ressaltou que este mercado não inclui só as classes mais favorecidas. Ele contou que, quando ainda residia em Porto Alegre e integrava uma associação de produtores, certa vez ouviu de um rapaz simples, que trabalhava na zeladoria do seu prédio, elogios à carne angus. “Ele viu a pasta que eu carregava e contou que havia comprado uma costela Angus para o churrasco com a família em seu aniversário”, relatou. Segundo ele, há uma sede no consumidor, de norte a sul, por uma experiência diferenciada.


Para o especialista, o produtor gaúcho pode ter uma carne vermelha, saborosa, macia, suculenta, sem marmoreio ou altamente marmorizada, mas para agregar valor nestes diferentes produtos é preciso uma marca. “Não basta por o selo de carne gaúcha e dizer que é bom. Só vale a pena este trabalho se tivermos este produto em mercados em que os clientes buscam produtos diferenciados”, ensinou. Para destacar a importância das parcerias nesta conquista, ele citou a Fazenda Pulqueria, de São Sepé (RS) e a relação com o Frigorífico Coqueiro. “Estão ganhando espaço no mercado de São Paulo com uma marca de carne diferenciada”, disse Medeiros.


Outros exemplos apresentados por Fábio Medeiros foram a Associação Novilho Precoce, do Mato Grosso do Sul, e a Cooperativa Aliança, do Paraná, ambas com estratégias diferentes. “Se a gente aproxima elos da cadeia, tirando frigorífico e atacado do negócio, aproximamos o dinheiro de quem paga e quem está vendendo. Mas isto tem seu risco, pois o produtor assume os custos, como o de logística”, ponderou.


Para Medeiros, falar em cooperativismo é destacar os valores de adesão voluntária, participação econômica, independência de todos dentro do negócio, compartilhamento de conhecimento e o interesse pela comunidade. “Identificamos que dentro destes valores há fatores que levaram cooperativas ao sucesso, como ajuda mútua, comportamento ético, comprometimento, solidariedade e transparência”, explicou, ainda. O especialista ainda deu um conselho: “Temos que enxergar a aliança mercadológica como sendo da gente. Como se a gente olhasse para o nosso negócio”. Ainda foram destaque na apresentação de Medeiros, as vantagens que o cooperativismo apresenta, como economia de escala, redução de assimetria de informação, organização da cadeia produtiva, compartilhamento de assistência técnica e agregação de valor à produção.


Antes de encerrar sua fala na live, Fábio Schuler Medeiros deixou outra lição. “A gente começa se juntando com gente que tem o mesmo propósito, garantindo que todos estão comprometidos, visita outras cooperativas e alianças que estão dando certo, mas começa pequeno”, ensinou. Para os produtores que assistiram ao Prosa de Pecuária, Medeiros ainda disse: “Se eu sou produtor pequeno, lá de Restinga Seca, posso me juntar a outros pequenos, médios e até grandes para entregarmos juntos e criar uma marca de carne”, finalizou.


O vice-presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Paulo Costa Ebbsen, em sua participação, se disse suspeito ao falar de cooperativismo. Ele contou que segue o caminho do pai nesta linha de trabalho. “É assim que nós, produtores, podemos atingir alguns objetivos importantes”, ressaltou.


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