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Pesquisadores apresentam primeiros resultados de ensaios com fitoesterol aplicado na soja e no milho


Pesquisadores de diferentes Estados do Brasil realizaram ensaios com a aplicação de fitoesterol (extrato de plantas) nas culturas da soja e milho. O objetivo era observar a solução de origem francesa nas culturas brasileiras, o posicionamento e sua reação em diferentes estágios de desenvolvimento das plantas. Nesta quarta-feira, 28 de junho, os autores destes trabalhos estiveram reunidos, em Foz do Iguaçu (PR), onde apresentaram seus dados a outros profissionais. Foi durante o 1º Elicit Summit, evento da Elicit Brasil , pautado pela troca de informações sobre novas tecnologias para atacar o estresse abiótico das plantas e aumentar sua resistência e produtividade.


Felipe Sulzbach, VP de Sales Elicit Brasil, foi o mestre de cerimônias do evento. Ele destacou que o tema do encontro “Luzes para o agronegócio” faz analogia com a Aurora Boreal, que é um show de luzes únicas, à parte na atmosfera. “É um universo único e como a Aurora Boreal, trazemos os elicitores que modificam as plantas, e este “show de luzes” mostra o que está sendo feito dentro delas, que muitas vezes a gente não consegue ver”, destacou.


Conforme Sulzbach, os estudos sobre fitoesteróis, que são mais de 200 e produzidos em pouca quantidade pelas plantas, não são novidade, tendo sido iniciados 40 anos atrás. “A Elicit desenvolveu uma tecnologia que quebra essa gordura de cadeia longa e faz com que a planta absorva pela folha. A célula é preparada para o estresse, muda a permeabilidade da membrana celular”, detalhou. Na prática, o que se vê no campo depois da aplicação são estômatos parcialmente abertos, onde quatro horas após a aplicação do produto são ativados, semicerram e continuam fazendo fotorrespiração e trocas gasosas, mesmo em condições adversas. Em situações de estresse abiótico, os estômatos das plantas se cerram e elas param de se desenvolver.


A apresentação dos resultados dos estudos técnicos foi comandada por Karol Czelusniak, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Elicit. “No primeiro ano, chegamos a ter produções até acima de 200 sacas de milho por hectare em algumas regiões. Foram 10% de incremento e nos chamou a atenção”, disse. Também com relação à soja, Czelusniak ressaltou a obtenção de 7% de incremento. O gestor detalhou que nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com soja e milho, a Elicit Plant reuniu 80 clientes, uma área plantada de cerca de 88 mil hectares, e através de parcerias com 24 instituições de pesquisa. Entre os resultados apresentados, estavam os obtidos em área de um produtor da região de Santa Maria, onde chegou a ocorrer falta de chuva por mais de 60 dias seguidos. “Nas avaliações referentes a medição de área foliar, houve aumento de mais de 70%” afirmou. Em termos de produção, o incremento médio foi de 12%.


Na sequência, pesquisadores parceiros da empresa trouxeram números obtidos após análise das lavouras experimentais. Marcelo Mendes, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, da cidade de Guarapuava (PR), apresentou a metodologia do trabalho em lavouras experimentais de milho e como resultados, um dos exemplos apresentados foi o aumento de produtividade para híbrido precoce testado. Outro pesquisador, Tiago Hörbe, da Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL), contou que, de forma geral, os estudos demonstraram ganhos de 19%, considerando os cultivares testados.


A doutora em Produção Vegetal Mayra Juline Gonçalves, CEO da startup Plant Colab, tratou da safra de soja, cultivada em Muitos Capões (RS). O cenário, segundo ela, foi de condições excelentes para a produção, pois a lavoura experimental é próxima à Santa Catarina. De forma geral, ela destacou os ganhos com a aplicação da tecnologia francesa, mesmo que as plantas não tenham sofrido estresse abiótico. Gabriel Barth, da Fundação ABC, trouxe dados do experimento com soja cultivada no Tocantins e ressaltou que a região teve cenário oposto ao do Rio Grande do Sul, com excesso de água, até mesmo no período de colheita. No primeiro ensaio, o pesquisador revelou aumento de produtividade e num segundo, avaliou a qualidade de grãos no pós-colheita. “Os grãos estão armazenados para que numa segunda safra possa verificar o desempenho futuro, não só da planta-mãe”, explicou. O pesquisador disse que a ideia era avaliar a melhora na qualidade fisiológica do grão.


Fundada em 2017 por Jean-François Déchant, Olivier Goulay e Aymeric Molin, a Elicit Plant aportou no Brasil em 2020. Déchant, presente ao evento no Paraná, contou que veio do setor de cibersegurança do Vale do Silício, e se uniu a Goulay, que iniciou o trabalho de aperfeiçoamento do uso de fitoesteróis das plantas para combate ao estresse abiótico. “Eu voltei à França para trabalhar em um projeto com grande impacto para a humanidade”, disse. Os dois se uniram ao produtor rural Aymeric Molin, e em sua propriedade, reuniram 40 pessoas, entre elas 15 PhDs em diversas áreas. Foram montados laboratórios onde, assim que as pesquisas avançam, são testadas ali mesmo, na lavoura. “O conceito é fazer com que o desenvolvimento dos produtos seja mais rápido, desde o laboratório até o agricultor”, explicou.


Após testes realizados em diversas culturas, desde a alfafa até a uva, Jean-François Déchant constatou que a soja deveria ser o cultivo número um, causando espanto no produtor rural Aymeric Molin. Como não há mercado para o grão na França, a Elicit Plant decidiu se voltar ao Brasil, onde já foi investido mais de um milhão de dólares em pesquisas com resultados comprovados nas lavouras de soja e milho.

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