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Curso de Jurados abre Exposição Nacional Hereford e Braford em Esteio

  • Foto do escritor: Artur Chagas
    Artur Chagas
  • há 4 horas
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Capacitação promovida pela ABHB reúne técnicos, estudantes e criadores em atividades teórica e prática voltadas à seleção genética e produção de carne de qualidade (Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)
Capacitação promovida pela ABHB reúne técnicos, estudantes e criadores em atividades teórica e prática voltadas à seleção genética e produção de carne de qualidade (Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)

A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) iniciou nesta segunda-feira (20) o Curso de Julgamento das Raças Hereford e Braford Dr. Jacob Momm Filho, dentro da programação da Exposição Nacional Hereford e Braford 2026, realizada de 19 a 25 de abril, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Após alguns anos fora da agenda oficial, a capacitação voltou a integrar o evento com foco na formação técnica e na qualificação de profissionais ligados à pecuária de corte.


Na abertura, o presidente da ABHB, Eduardo Soares, ressaltou que a proposta do curso vai além da avaliação tradicional em pistas de exposições. Segundo ele, a iniciativa busca preparar criadores para decisões mais criteriosas no dia a dia das propriedades. “Quando se fala em curso de julgamento, não se trata apenas de avaliar animais em pista. Todos nós somos jurados das nossas próprias convicções e precisamos estar preparados para julgar nossos animais em qualquer situação, seja na mangueira da fazenda, em um remate ou em uma exposição”, afirmou.


Soares acrescentou que a definição de critérios objetivos na seleção de machos e fêmeas é determinante para o desempenho produtivo. “A programação do curso foi estruturada para abordar desde o funcionamento da associação até aspectos técnicos essenciais para a pecuária moderna”, adiantou.


O gerente executivo da ABHB, Felipe Azambuja, apresentou a trajetória institucional da entidade, que se aproxima de sete décadas de atuação no Brasil. Fundada em 1958, com sede em Bagé, a associação iniciou suas atividades voltada exclusivamente à raça Hereford. “Foi a partir do final dos anos 1970 e início dos anos 1980 que a entidade passou por uma transformação estratégica, incorporando cruzamentos com raças zebuínas e, posteriormente, adotando a raça sintética Braford. A decisão ampliou as possibilidades produtivas e permitiu maior adaptação dos animais a diferentes ambientes, fortalecendo a produção de carne de qualidade no país”, afirmou.


Com essa ampliação, a entidade passou a representar oficialmente as duas raças, consolidando sua atuação em diferentes regiões. Atualmente, reúne criadores e associados distribuídos em todo o território nacional.


O gerente de Operações da ABHB, Felipe Medeiros, explicou como são estruturados os processos de organização de exposições e seus regulamentos. “Uma exposição começa com um regulamento onde se definem todas as informações como cidade, local, qual núcleo será corresponsável, inscrições, modalidades”, referiu.


Na sequência, Azambuja abordou os diferentes formatos de exposições e seus critérios específicos, além dos parâmetros utilizados na escolha de jurados. O dirigente também detalhou os procedimentos que envolvem a chegada dos animais às feiras, os julgamentos de admissão, o acompanhamento técnico e as características avaliadas nas modalidades Rústico e Argola.


O presidente do Conselho Deliberativo Técnico da ABHB, Paulo Azambuja, apresentou as atribuições do colegiado responsável pelas decisões técnicas das raças Hereford e Braford. “Cabe ao CDT analisar questões inerentes de forma técnica e imparcial. O grupo tem 13 integrantes com duas comissões, uma para a raça Hereford e outra para a Braford”, afirmou.


Ele detalhou ainda as funções do conselho, que incluem a definição de padrões raciais, regulamentos, coordenação do corpo técnico, além do acompanhamento de exposições, provas e programas de melhoramento genético.


O dirigente destacou também a parceria com a Embrapa Pecuária Sul, a condução da Prova de Eficiência Alimentar (PEA) e a atuação nos programas Pampaplus, Promebo e Conexão Delta G. Considerando as três iniciativas, cerca de 1 milhão de animais já foram avaliados. “A Embrapa atua com base científica e tecnológica, como pesquisa, metodologias, análises genéticas, e a ABHB como articuladora junto aos criadores e gestora dos programas de melhoramento genético”, explicou.


Paulo Azambuja também apresentou o Programa Carne Certificada Hereford, criado em 1998, que permite o uso da marca em produtos que atendam a critérios técnicos relacionados à genética, idade, acabamento e qualidade da carcaça.


O coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da UFRGS, Júlio Barcellos, destacou a necessidade de uma abordagem técnica e equilibrada na avaliação dos animais. Segundo ele, decisões baseadas apenas em preferências pessoais podem comprometer os resultados produtivos. “A habilidade de escolher um animal vai além de gostos individuais e deve considerar fatores fundamentais ligados à produção de carne, atividade que sustenta toda a cadeia produtiva. É preciso ultrapassar paixões e entender que a atividade-fim é a que paga a conta”, afirmou.


O professor também chamou atenção para a complexidade dos sistemas de produção atuais, que envolvem variáveis como mercado internacional, bem-estar animal e qualidade do produto. Nesse contexto, ele descartou a ideia de um animal “perfeito” ou de uma raça ideal capaz de atender a todas as condições. “Essa busca é uma ilusão”, disse, defendendo o foco em uma genética equilibrada e adaptável a diferentes ambientes.


A programação do curso segue nesta terça-feira (21), com atividades práticas e continuidade das discussões técnicas entre participantes e instrutores.



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