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Especialistas alertam para a urgência de retomar o rigor técnico no campo

  • Foto do escritor: Artur Chagas
    Artur Chagas
  • há 8 horas
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Em encontro de professores do ensino agrícola foi debatido uso adequado do calcário e os impactos do “achismo” no manejo da agricultura e pecuária (Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)
Em encontro de professores do ensino agrícola foi debatido uso adequado do calcário e os impactos do “achismo” no manejo da agricultura e pecuária (Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)

O segundo painel desta sexta-feira, 28 de novembro, do 40º Encontro Estadual de Formação para Professores de Ensino Agrícola, organizado pela Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea), foi “Climas e Solos” com os professores doutores Michael Mazurana, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e o diretor do Sindicato da Indústria do Calcário do Rio Grande do Sul (Sindicalc), Roberto Zamberlan. O mediador foi o vice-presidente Administrativo da Agptea, Celito Luiz Lorenzi. O evento aconteceu no Hotel Embaixador, em Porto Alegre (RS).


Zamberlan iniciou a palestra questionando o público: “A planta come ou bebe o nutriente? Bebe. Os dois principais alimentos para uma planta saudável são água e cálcio”, explicou. O diretor do Sindicalc ressaltou que o cálcio contribui para o desenvolvimento de raízes facilitando a retenção de nutrientes, principalmente água. Também falou sobre os principais nutrientes que a planta precisa e que são divididos em macro e micronutrientes. Entre os macros, cálcio, magnésio, enxofre e hidrogênio. E, entre os micro, cobre, manganês e níquel. Na sequência, Zamberlan falou sobre a composição de calcário bem como os tipos de calcário existentes.


Segundo o dirigente, o calcário mais adequado é aquele que a sua análise de solo determina. “Dependendo do tipo de solo, você pode usar o calcário que mais necessita naquele tipo de solo. Se a relação de cálcio e magnésio não estiver em 3 por 1, corrija de acordo com a necessidade. Senão, o mais indicado é sempre o calcário dolomítico. Se você tem uma relação de 3 por 1 do cálcio com magnésio, se você coloca calcário só calcítico, você pode desregular essa relação de cálcio com magnésio”, alertou.


O presidente do Sindicalc reforçou que uma fábrica de produção de fosfato começará a atuar em Caçapava do Sul, a partir de maio do ano que vem. A matéria- prima virá de Lavras do Sul. “O Rio Grande do Sul, a partir do ano que vem, passará a ser produtor de fosfato natural na concentração de 12%. Hoje, o Brasil importa 95% de todo o fósforo consumido”, revelou.


Zamberlan falou também sobre as necessidades de correção do solo mostrando a relação de nível de aproveitamento do fertilizante no solo com o ph. “Você precisa corrigir o solo antes de pensar em nutrientes, caso contrário é dinheiro posto fora”, sentenciou. O dirigente sindical comparou que o pH médio do Rio Grande do Sul, das lavouras produtivas é 5,5, ou 64% de aproveitamento. Há 30 anos, o Rio Grande do Sul consome 3,5 milhões de calcário em média. De 3 anos pra cá aumentou para 4 milhões. Há 15 anos, o Mato Grosso consumia 4 milhões e, hoje, consome 20 milhões de toneladas de calcário ano”, comparou.


(Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)
(Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)

Na sequência, quem fez uso da palavra foi o professor da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Michael Mazurana, que iniciou falando sobre produtividade e que desde sua vinda para a cidade estudar, uma ferramenta tecnológica chegou e prejudicou o produtor: o WhatsApp. Segundo ele, há muita informação que circula na base do “achismo”, ou apenas na experiência pessoal.


Mazurana destacou que a sociedade avançou muito, mas que, no que se refere ao campo, pouco mudou, e criticou a falta de atenção na correção do solo, o que tem provocado desperdício de recursos. Deu como exemplo os resultados insuficientes das culturas de grãos no país nos últimos 30 anos. “Você sente isso aqui no dia a dia e eu na faculdade sinto um pavor ainda maior. Nesse intervalo, aumentamos em 1.400% a venda (e o uso) de agrotóxicos. Nós estamos buscando algumas soluções de balcão. É muito fácil ir lá e comprar um saco de adubo, um quilo de semente… Onde é que nós estamos errando? A técnica nós estamos assassinando ou já foi assassinada. Parece que estamos patinando e nada avança”, desabafou. Disse ainda, que se não alinharem com os técnicos agrícolas, ainda seguirão com os mesmos erros, como revirar a palha para realizar o plantio direto, ao invés de semear com a palha para aproveitar seus benefícios diversos como a retenção da água no solo.


Ao ingressar no tema clima, lembrou eventos extremos de muita chuva, como em 1978 e 2024. “O problema do estado é a falta de chuva, não o excesso”, pontuou. Demonstrou que, em 46 safras, o Rio Grande do Sul acionou o governo federal em 24 delas devido à seca. Para enfrentar situações extremas, o professor sugere entender a importância de considerar o todo e não somente as partes como o conceito básico de microbacias hidrográficas. Concluiu que o produtor está sem tempo para “achar”.



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