Grupo discute falta de medicamentos para controle de sarna em ovinos no RS
- Ieda Risco

- há 2 horas
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Na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Ovinos, realizada na segunda-feira (16) pela Secretaria da Agricultura do RS, entidades do setor decidiram criar um documento a ser encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) pedindo ações imediatas quanto a ausência de medicamentos para controle da sarna e piolhos em ovinos. Também saiu do encontro, a necessidade de buscar incentivo para o desenvolvimento da ovinocultura. As subnotificações de rebanho foi outro tema debatido.
Sobre a sarna e piolhos, o pesquisador do Instituto de Pesquisa Veterinária Desidério Finamor (IPVDF), José Reck, disse que, como participa de grupos compostos por representantes do Conesul, a ansiedade, apesar de não ser de todos os estados brasileiros produtores de ovinos, é também do Uruguai e da Argentina. “Devo visitar a Argentina para trocar informações com técnicos locais, onde os criadores também enfrentam infestação sem acesso a medicamentos.
Ele relatou, também, que há um projeto multicêntrico que busca colocar no Brasil uma isoxazolina para o controle destes parasitas. “Pelo que se viu das primeiras provas, se espera uma eficácia bem alta”, concluiu.
O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, Edemundo Gressler, pontuou que o Brasil precisa importar o medicamento necessário. “Nós estamos diante de um problema e que nós não temos nas nossas prateleiras produtos específicos para isso", destacou.
Gressler informou que esta demanda será levada para para a reunião da Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos, em Brasília (DF). "Nós provocaremos o próprio Ministério da Agricultura e Pecuária para que consigamos de uma forma imediata, se for possível, proporcionar ao nosso produtor a importação de produtos para melhorar a sanidade das nossas ovelhas”, explicou. Para incentivar os banhos, que auxiliam no controle destes parasitas, deverá ser lançada uma campanha e uma cartilha voltadas aos criadores.
A reunião, realizada em formato híbrido (presencial e online), também tratou da subnotificação de nascimentos de cordeiros no Rio Grande do Sul. Por normativa da Secretaria da Agricultura, a Declaração Anual de Rebanho ocorre em junho, período em que ainda há poucos nascimentos, explicou a coordenadora da Câmara Setorial e vice-presidente da Arco, Elisabeth Lemos. “E nesse período, até junho, são poucos os cordeiros que nascem. A maior parte dos cordeiros vai nascer em julho e agosto e esses animais não são declarados”, observou.
Ela acrescentou que criadores com poucos animais, voltados ao consumo próprio, deixam de atualizar os registros após a declaração feita em junho. Isso gera distorções nas estatísticas oficiais. “Tanto é que nós temos, contabilizados pela secretaria, em torno de 1,5 milhão de ovelhas e a informação que chega é que nasceram cerca de 350 mil cordeiros, o que dá uma taxa de natalidade em torno de 30%. E isso não é a realidade”, garantiu.
Elisabeth afirmou que o número total de ovinos no estado é superior ao divulgado e lembrou que, quando o registro foi realizado em novembro, o volume ultrapassou 3,5 milhões de cabeças. “Isso nos faz perder a hegemonia de ser o maior estado em criação de ovinos, o que é uma pena para o Rio Grande do Sul e para a ovinocultura gaúcha”, finalizou.
O encontro também serviu para dar o primeiro passo na criação de um grupo de trabalho para traçar estratégias para um programa de desenvolvimento dos rebanhos, como o Mais Ovinos, mas que seja de Estado e que se dê por retenção de matrizes. O objetivo é a obtenção de verbas por meio dos bancos estatais.





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