Debater criticamente a IA em sala de aula é indicação de palestrante
- Ieda Risco
- há 1 hora
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Na parte da tarde desta quinta-feira, 27 de novembro, o 40° Encontro Estadual de Formação para Professores de Ensino Agrícola teve continuidade com a palestra “Inteligência Artificial”, com a professora doutora Lúcia Maria Martins Giraffa, da Escola Politécnica da PUCRS. O mediador foi o vice-presidente de Assuntos Educacionais da Agptea, professor Danilo Oliveira de Souza. O evento, no Hotel Embaixador, em Porto Alegre, é promovido pela Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea).
Lúcia ressaltou que as tecnologias que emergiram na humanidade afetaram a maneira que vivemos, principalmente no ambiente escolar, a ponto de se pensar que com o computador não se precisaria mais de professor. No entanto, destacou que nunca foi tão importante ter professor, especialmente na era da IA. Conforme Lúcia, as tecnologias vão aparecer sempre e algumas delas tem o que se chama de poder disruptivo. “A tecnologia sempre existiu e a gente sempre precisou se adaptar para a prática”, afirmou a palestrante. Provocando a platéia, perguntou quem assina streaming, faz compra online ou usa GPS no carro. “Então tu usas IA”, afirmou. Assim, ela introduziu a lógica dos algoritmos e dos sistemas de recomendação, onde as preferências do consumidor são analisadas e voltam a ser ofertadas.
Voltando o tema para dentro da sala de aula, Lúcia Maria propôs a discussão crítica do uso das mais modernas tecnologias, como a Inteligência Artificial. “Precisamos ter letramento digital, ou seja, não só entender o que é, mas saber interagir com ele de forma inteligente”, disse ela. A palestrante defendeu, ainda, que a troca entre professores sobre como a IA está sendo usada é fundamental. Contou que, na universidade há diretrizes que exigem que seja informado o uso da IA pelos alunos e aqueles que não o fazem podem ter seus trabalhos cancelados.
Sobre o uso da IA mais popular, o ChatGPT, a professora contou que se trata da tecnologia mais suja que existe. “Cada interação gasta 10 litros de água. Os servidores, que não estão em Marte, aquecem e precisam de água para resfriamento”, detalhou. Contou, ainda, que os chineses mergulharam servidores para melhorarem o resfriamento e acabaram matando os corais no entorno. “Quanto de água eu usei para fazer esta palestra", questionou, pontuando a necessidade de se debater o uso das tecnologias. Lúcia Maria disse, ainda, que esta foi a tecnologia que menos tempo levou para atingir 100 milhões de usuários: cerca de dois meses a partir do seu lançamento.
A professora explicou que a IA é generativa e não tem a menor ideia do que está fazendo, não tem consciência. “É um programa com funções matemáticas, sofisticado e que depois de treinado se torna muito eficiente. Ela não é criativa. É IA generativa, ou seja, gera o conteúdo para o qual foi programada”, explicou. Ela ainda fez uma analogia com o crochê, dizendo que quem pratica esta técnica de artesanato é capaz de reproduzir algo sem um roteiro, é uma capacidade humana e além disso traz intencionalidade, de emoção. “Assim, a gente educa pessoas e treina a rede”, pontuou.

