Arco projeta ampliar participação de produtores no Programa Lã Certificada
- Artur Chagas
- há 2 horas
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A ampliação da participação de produtores, principalmente os de menor escala, está entre os próximos desafios do Programa de Lã Certificada da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), que completa cinco anos. O tema estará entre os debates do 3º Dia da Lã, marcado para 30 de julho, na Associação e Sindicato Rural de Sant'Ana do Livramento (RS), com a presença de produtores, técnicos, pesquisadores, indústrias e representantes do setor.
O coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, Sérgio Muñoz, lembra que a iniciativa começou durante a pandemia, período em que o comércio internacional da fibra enfrentou forte retração. “Começamos o programa em um dos piores momentos do comércio de lãs da história. Mesmo assim, tínhamos certeza de que os melhores dias viriam e de que não existia outro caminho senão certificar as nossas lãs”, afirma.
A experiência acumulada ao longo de mais de três décadas no Uruguai e na Argentina com certificação e acondicionamento serviu de referência para a implantação do sistema brasileiro. Segundo Muñoz, a cooperação com técnicos uruguaios permanece e terá continuidade no evento, que contará com palestras de especialistas do país vizinho.
A adoção do modelo exigiu mudanças nas práticas de esquila, manipulação e acondicionamento da fibra. Muñoz afirma que a resposta econômica ajudou a ampliar a aceitação entre os produtores. “Fomos mostrando que estávamos no caminho certo. A melhor maneira de mudar uma cultura é mostrar o resultado no bolso do produtor. Felizmente, esse resultado veio”, ressalta.
De acordo com o coordenador, a diferença de remuneração é maior nas lãs finas e, em alguns casos, supera 100% na comparação com o produto esquilado e acondicionado pelo sistema convencional. “Estamos entregando à indústria uma matéria-prima pronta para produzir um produto final de muito mais qualidade”, observa.
Apesar do crescimento do programa, Muñoz aponta obstáculos para ampliar a adesão, como a formação de mão de obra especializada, uma participação maior da indústria brasileira e os custos logísticos enfrentados por pequenos criadores. “Queremos que o pequeno produtor participe cada vez mais. Muitos já investiram em genética e produzem lãs de excelente qualidade. Precisamos criar condições para que eles também agreguem valor ao seu produto por meio da certificação”, enfatiza.
A programação do Dia da Lã incluirá a apresentação de indicadores atualizados do programa, análises do mercado internacional e relatos de criadores que já obtêm remuneração diferenciada pela fibra certificada. Duas mesas-redondas também vão reunir representantes da indústria, esquiladores e produtores para discutir os principais gargalos da cadeia.
Muñoz considera esse debate um dos pontos centrais do encontro, pela possibilidade de reunir diferentes segmentos em torno dos entraves da atividade. “Vamos discutir mercado, mostrar números reais do programa e buscar soluções para os desafios que ainda temos. Acreditamos que a discussão entre todos os segmentos da cadeia será o momento mais importante do evento”, destaca.
O coordenador afirma ainda que os preços internacionais retornaram aos níveis registrados antes da pandemia. Segundo ele, a valorização nas diferentes finuras varia entre 60% e 70% na comparação com dois anos atrás. “Os preços são excelentes. Estamos chegando a uma nova safra com um cenário muito positivo e a certeza de que estamos no caminho certo”, conclui.
O Dia da Lã é uma ação do Termo de Fomento FPE 2787/2024.

