Educação ambiental deve ir além da reciclagem e preparar comunidades para mudanças climáticas


A construção de escolas preparadas para enfrentar eventos climáticos extremos passa pela infraestrutura, mas também pela educação ambiental e pela capacidade de transformar experiências de crise em aprendizado. Essa foi uma das abordagens da bióloga Daiana Schwengber, sócia-fundadora da Apoena Socioambiental, no primeiro painel do VIII Seminário de Educação Ambiental Sala Verde Padre Amstad, realizado nesta quinta-feira (5), em Viamão (RS). Sob o tema "Educação para um Futuro Resiliente", o evento promovido pela Cooperativa Educredi ocorreu no Auditório Ana Jobim e reuniu especialistas, educadores e estudantes para debater temas como resiliência climática, biodiversidade e o conceito de Escolas Lixo Zero.
Ao abordar o conceito de escolas resilientes e antifrágeis, Daiana destacou que, enquanto a resiliência permite recuperar as condições anteriores a uma situação adversa, a antifragilidade pressupõe aprender com a crise e evoluir a partir dela. “A resiliência vai garantir que a escola sobreviva. Mas precisamos também garantir que essa comunidade escolar aprenda com o que aconteceu e se fortaleça para estar mais preparada quando uma nova situação vier”, afirmou.
Daiana citou os impactos das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul e as dificuldades enfrentadas por escolas que ainda não conseguiram retomar plenamente suas atividades. Outro ponto central da palestra foi a gestão de resíduos como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas.
Daiana defendeu que as escolas trabalhem o conceito Lixo Zero, baseado na separação de recicláveis, resíduos orgânicos e rejeitos, além de estimular a redução do consumo, o reaproveitamento de materiais e a compostagem. Segundo ela, a destinação inadequada dos resíduos contribui para a emissão de gases de efeito estufa e representa também um desperdício econômico e social. “Só reciclar não vai nos salvar. Precisamos repensar o consumo, reduzir e reutilizar antes de reciclar”, ressaltou.
A palestrante também chamou a atenção para a importância de encaminhar corretamente os materiais recicláveis, valorizando o trabalho de milhares de catadores e catadoras que atuam na cadeia da reciclagem. Na sequência aconteceu um compartilhamento de experiências práticas e casos de sucesso em educação ambiental para a resiliência climática. A mediação foi da educadora Ana Carolina Dutra da Silva e contou com as participações das representantes das escolas Thiago Wurth, de Canoas, Rita Magueta, e ETA Viamão, Angela de Oliveira
Na parte da tarde, aconteceram as palestras “Parque Estadual de Itapuã e a Importância da Preservação do Bioma para uma Educação Resiliente” com Dayse Rocha, gestora do Parque Estadual de Itapuã/ Viamão, “Espécies Exóticas Invasoras e o Projeto Nosso Itapuã com a Dra. Mariana de Souza Vieira da Universidade La Salle / Canoas, e projetos ambientais das escolas municipais de Ensino Fundamental Padre Schneider, Quatorze de Setembro, Felisberto da Costa Nunes e Frei Pacífico, todas de Viamão.
O diretor-presidente da Educredi, professor Elson Sena, destacou a importância do VIII Seminário de Educação Ambiental Sala Verde Padre Amstad para estimular o debate sobre questões ambientais nas escolas. Segundo ele, a participação ativa dos professores contribui para levar temas como mudanças climáticas, destinação de resíduos e preservação ambiental ao cotidiano das comunidades escolares. “São assuntos que precisam ser trabalhados diariamente nas escolas, e a Sala Verde tem um papel importante ao promover essa reflexão e trazer esses temas para o seminário”, afirmou.
Sena também ressaltou que a enchente de 2024 no Rio Grande do Sul tornou a educação ambiental ainda mais prioritária, especialmente diante da recorrência de eventos extremos, como os tornados registrados recentemente. “A enchente nos deixou muito marcados por aquela situação e reforçou a necessidade de estarmos atentos aos fenômenos climáticos”, observou.
Sena também abordou a importância de ampliar o quadro de associados da Educredi, incentivando a participação dos professores na cooperativa. Ele explicou que o ingresso envolve a integralização de capital, cujo valor fica vinculado à conta do próprio associado. “A busca por novos associados é constante, porque é importante que as pessoas compreendam o cooperativismo e conheçam as diferenças entre uma cooperativa e um banco”, concluiu.





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