Irrigação e manejo do solo são caminhos para reduzir riscos climáticos na agricultura gaúcha


A irrigação e o manejo adequado do solo podem ser importantes aliados para reduzir os impactos das adversidades climáticas sobre a produção agropecuária do Rio Grande do Sul. A avaliação foi apresentada pelo subsecretário Estadual de Irrigação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Davi Teixeira, durante palestra nesta quarta-feira (14), na 93ª Farm Show de Dom Pedrito.
Teixeira foi um dos palestrantes do Seminário sobre Integração Lavoura-Pecuária, promovido pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Campus Dom Pedrito, Sebrae e Sindicato Rural do município dentro da 1ª Semana Acadêmica da Agronomia. O evento ocorre no Parque de Exposições Juventino Corrêa de Moura e integra a programação da feira, que segue até sábado (18).
Segundo o subsecretário, a recorrência de períodos de estiagem no Estado reforça a necessidade de ampliar o uso da irrigação como ferramenta de segurança produtiva. "Temos passado por momentos de muita adversidade climática. Grande parte das frustrações da agricultura decorre de anos de estiagem forte. A irrigação entra como uma ferramenta muito importante que temos tentado impulsionar no Rio Grande do Sul", afirmou.
Para Teixeira, porém, a irrigação deve estar associada a outras práticas de manejo, especialmente à conservação do solo. Ele destacou que o solo representa o principal reservatório natural de água e nutrientes disponível ao produtor. "Precisamos discutir o bom manejo do solo, visto que ele é o maior e melhor reservatório de água e nutrientes que temos. Depois vêm as barragens e os sistemas de irrigação. Precisamos saber cuidar do solo e, a partir disso, impulsionar os negócios com irrigação", ressaltou.
Ao abordar as características da região da Campanha, o subsecretário chamou atenção para o grande número de propriedades com áreas de terras baixas e para a tradição do cultivo de arroz. De acordo com ele, essas áreas apresentam oportunidades e desafios distintos em relação às culturas de sequeiro, como a soja.
Nas terras baixas, explicou, a irrigação por gravidade utilizada na produção de arroz reduz o risco associado à falta de chuva. Já culturas como a soja ficam mais expostas aos períodos prolongados de estiagem. "Aqui na região temos muitas propriedades com um percentual grande de terras baixas, com solos mais pesados e uma vocação arrozeira muito forte. Por outro lado, essas áreas têm o viés da irrigação superficial por gravidade, que já tira o risco da estiagem, pelo menos. Já as culturas de sequeiro, principalmente a soja, sofrem muito com as estiagens", observou.
Na sequência, a cofundadora e CEO da Inocular Soluções Agrícolas, Rosana Taschetto Vey, abordou o manejo biológico e a relação entre microrganismos, estrutura do solo e integração entre lavoura e pecuária. Segundo ela, a preparação do solo para o manejo biológico passa pelo aumento da cobertura, do enraizamento e da matéria orgânica.
Essas práticas contribuem para a formação de agregados e para uma maior capacidade do solo de reter e infiltrar água. "Quando vamos preparar o solo para receber os microrganismos, trabalhamos também sua estrutura física, aumentando a cobertura, o enraizamento e melhorando a quantidade de matéria orgânica. Isso permite que tenhamos mais agregados no solo e, ao longo do tempo, uma estrutura capaz de reter mais água quando há falta de chuva e infiltrar melhor quando há excesso", explicou.
Rosana também destacou a importância do equilíbrio entre produção agrícola e pecuária nos sistemas integrados. Para ela, a manutenção de uma cobertura mínima de palhada é fundamental para reduzir os efeitos do pisoteio dos animais e preservar a estrutura do solo. "Quando temos a presença da palhada, o pisoteio praticamente deixa de ser um problema. O cuidado com o solo, no médio e longo prazo, melhora tanto a produção agrícola quanto a pecuária", afirmou.
Após as palestras, os especialistas participaram de uma atividade interativa com o público, mediada pelo coordenador de Pecuária de Corte do Sebrae, André Bordignon, e também com a participação do produtor rural Edison Fontoura Júnior, de Dom Pedrito.





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