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Sebrae destaca economia criativa e valorização do artesanato na Farm Show

Foto do escritor: Artur Chagas
Artur Chagas
há 2 horas
3 min de leitura
Primeiro encontro do Programa Desenvolve reuniu artesãs de Dom Pedrito e propôs aperfeiçoamento de produtos sem perder identidade cultural da Campanha (Foto: Artur Chagas/AgroEffective)
Primeiro encontro do Programa Desenvolve reuniu artesãs de Dom Pedrito e propôs aperfeiçoamento de produtos sem perder identidade cultural da Campanha (Foto: Artur Chagas/AgroEffective)

A economia criativa, a valorização da produção artesanal e a possibilidade de transformar conhecimentos e experiências em novos negócios foram temas do 1º Encontro do Artesanato – Programa Desenvolve, promovido pelo Sebrae nesta quarta-feira (14), dentro da programação da 93ª Farm Show, no Parque de Exposições Juventino Corrêa de Moura, em Dom Pedrito. O encontro reuniu cerca de dez artesãs e marcou o início de uma série de atividades voltadas ao aperfeiçoamento dos produtos e à ampliação de mercados.


A atividade foi conduzida pela consultora Luciana Bulcão, fundadora da marca Dona Rufina, que atua nas áreas de economia criativa, design e valorização territorial. A proposta é trabalhar a partir das peças produzidas pelas próprias artesãs, orientando ajustes de design, apresentação e posicionamento comercial sem descaracterizar a identidade cultural da Campanha gaúcha.


Para Luciana, o crescimento da economia criativa também está relacionado a uma mudança na forma como as pessoas encaram carreira e trabalho. Segundo ela, experiências acumuladas ao longo da vida podem se transformar em novos empreendimentos, especialmente para quem decide iniciar uma atividade depois dos 40 anos. “Hoje a gente pode ter várias coisas ao mesmo tempo. Não precisa esperar se aposentar para fazer outra coisa da vida. A gente tem mais escolhas e mais poder de decisão”, afirmou.


A consultora destacou ainda que a maturidade pode ser um diferencial para quem decide empreender. “A gente já experimentou um pouco de tudo, tem muitas experiências e não tem mais tanto medo. A gente vai se reinventando, pegando cada conhecimento de cada etapa e transformando isso em um negócio próprio”, disse.


Outro ponto abordado foi a relação entre o avanço tecnológico e a valorização do trabalho manual. Para Luciana, o artesanato pode se fortalecer justamente por oferecer produtos autorais, personalizados e ligados às histórias e características de cada território. “Quanto mais o mundo fica globalizado e a tecnologia avança, com a inteligência artificial em uma velocidade muito rápida, mais a gente percebe o retorno às manualidades, ao que é exclusivo, ao que é feito à mão e pode ser personalizado”, afirmou.


Ela também defendeu que os artesãos ampliem sua visão de mercado e utilizem ferramentas digitais para chegar a consumidores de outras regiões. “Muitas vezes a gente não encontra o nosso público porque está procurando somente no nosso entorno. Com a internet ficou muito mais fácil. A gente precisa buscar, se posicionar e criar estratégias para atingir esse público”, ressaltou.


O analista de Relacionamento com o Cliente do Sebrae, Carlos Henrique Gerzson Neto, explicou que o encontro integra a sexta edição do Programa Desenvolve, realizado em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento de Dom Pedrito. A iniciativa terá 11 encontros e pretende trabalhar individualmente os produtos apresentados pelas participantes. “Foi o primeiro encontro do Programa Desenvolve, que está na sexta edição dessa parceria do Sebrae com a Secretaria de Desenvolvimento do município de Dom Pedrito. Resolvemos realizá-lo dentro da Farm Show para fomentar a economia criativa”, explicou.


Durante a primeira etapa, os produtos são fotografados, registrados e analisados. A partir desse diagnóstico, Luciana irá acompanhar as artesãs ao longo do programa, propondo melhorias e alternativas de apresentação. “A gente vai trabalhando e lapidando esses produtos e, no final, entrega um catálogo digital com todos eles, com fotos, características e informações sobre quem produziu. A ideia é fazer esse catálogo circular pelo Rio Grande do Sul, pelo Brasil e, quem sabe, até no exterior”, afirmou Gerzson Neto.


Entre os trabalhos apresentados durante o encontro esteve o da artesã Jeisa Cris Schulz Müller, que desenvolve produtos aromáticos, como home sprays, difusores e velas produzidas com ceras de coco e soja. Suas peças também incorporam elementos como cristais de quartzo e café.


A atividade de consultoria abriu espaço para discutir a utilização de matérias-primas associadas à região, como sementes e subprodutos agrícolas. Entre as possibilidades levantadas esteve o aproveitamento de elementos ligados à cultura do arroz, buscando transformar materiais disponíveis no território em componentes de produtos artesanais.


A proposta está alinhada à ideia defendida por Luciana de que o artesanato pode ganhar valor ao incorporar referências locais e histórias verdadeiras. “A economia criativa precisa de pessoas e histórias verdadeiras, não da perfeição. O futuro pertence a quem tem histórias para contar”, resumiu.

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