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Combustíveis renováveis aproximam agronegócio de nova agenda de descarbonização

Foto do escritor: Artur Chagas
Artur Chagas
há 11 minutos
3 min de leitura
Seminário na Farm Show de Dom Pedrito discutiu qualidade dos combustíveis, boas práticas e alternativas de culturas para ampliar a participação da Metade Sul na bioenergia (Foto: Lucas Vieira/Divulgação)
Seminário na Farm Show de Dom Pedrito discutiu qualidade dos combustíveis, boas práticas e alternativas de culturas para ampliar a participação da Metade Sul na bioenergia (Foto: Lucas Vieira/Divulgação)

A expansão dos biocombustíveis está aproximando cada vez mais o agronegócio da agenda de descarbonização da economia. A avaliação é do executivo Gilles-Laurent Grimberg, que participou nesta quinta-feira (15) do Seminário sobre Bioenergia, realizado durante a 1ª Semana Acadêmica de Agronomia da Unipampa, na programação da 93ª Farm Show de Dom Pedrito. Para ele, além de produzir matérias-primas para os combustíveis renováveis, o setor agropecuário precisa estar preparado para utilizar corretamente as novas tecnologias.


Com mais de três décadas de experiência no Brasil e atuação no setor de combustíveis, Grimberg destacou a importância de levar conhecimento sobre os produtos que movimentam tratores, caminhões e demais equipamentos utilizados diariamente no campo. Segundo ele, cuidados com armazenamento, abastecimento e manutenção são fundamentais para evitar problemas e aproveitar o potencial dos novos combustíveis. "É importante trazer conhecimento sobre combustíveis e esclarecer as dúvidas que as pessoas têm. Se você não cuida bem do combustível, pode ter uma pane do trator ou do caminhão no momento errado", afirmou.


O executivo também ressaltou que os combustíveis renováveis têm uma característica que os aproxima diretamente do produtor rural: muitos deles têm origem justamente nas atividades agropecuárias. "Os renováveis nascem no meio agrícola. Então, é importante trazer e valorizar isso para levar para o dia a dia das operações agrícolas", disse.


Para Grimberg, a aproximação com as universidades é estratégica para acompanhar a transformação tecnológica do setor. Ele defendeu que as informações sobre combustíveis e novas tecnologias cheguem aos estudantes de áreas como Agronomia e Engenharia, que serão responsáveis por desenvolver e aplicar soluções no futuro. "Precisamos cada vez mais levar isso para a academia, porque é a academia que vai mover o amanhã", destacou.


O potencial da região para participar da expansão da bioenergia também foi abordado pelo engenheiro agrônomo e doutor em Ciências do Solo Felipe Carmona, da Integrar Gestão e Inovação Agropecuária. Segundo ele, embora as condições de produção da Metade Sul sejam desafiadoras, há alternativas capazes de inserir os produtores nesse novo mercado.


Entre as possibilidades estão culturas já adaptadas à região, como arroz e soja, além do sorgo granífero. Carmona também citou a pecuária e o sebo bovino como fontes importantes de matéria-prima para a produção de biocombustíveis. "É uma região que pode, sim, participar e participar com força dessa nova pegada da bioenergia no Brasil", afirmou.


Na avaliação do pesquisador, ampliar a produção nacional de combustíveis renováveis também representa uma questão estratégica para o país. A dependência dos combustíveis fósseis e as oscilações provocadas por questões geopolíticas podem afetar diretamente os custos de produção e o preço dos alimentos. "Um país que tem autossuficiência em bioenergia vai poder também proteger seus cidadãos, principalmente os mais vulneráveis, de todas essas questões geopolíticas", disse Carmona.


Especialista em combustíveis e biocombustíveis, Sérgio Luiz Camacho Viscardi chamou atenção para outro desafio: os problemas provocados por falhas ao longo da cadeia logística e pelo manejo inadequado dos combustíveis. Com 46 anos de experiência na área automotiva, de combustíveis e lubrificantes, ele defendeu a disseminação de informações para combater mitos e reduzir custos de manutenção. "A grande preocupação é fazer com que as pessoas possam adquirir seus veículos e equipamentos agrícolas e não tenham altos custos de manutenção", afirmou.


Segundo Viscardi, muitos problemas atribuídos aos combustíveis estão relacionados, na verdade, a procedimentos inadequados de armazenamento, transporte, abastecimento e manutenção. "O grande somatório de erros está dentro da cadeia logística. Nossa preocupação é fazer com que as pessoas deixem de acreditar em mitos e passem a fazer corretamente a manutenção e os cuidados com o armazenamento e os combustíveis", destacou. O Seminário sobre Bioenergia reuniu representantes da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), da Be8 e especialistas em produção agropecuária.



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