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Ganho de peso mais rápido pode elevar faturamento da pecuária gaúcha

Foto do escritor: Ieda Risco
Ieda Risco
há 23 horas
3 min de leitura
Especialista da SIA defende maior uso de pastagens e suplementação para acelerar a terminação e elevar o peso dos animais enviados ao abate (Foto: Divulgação)
Especialista da SIA defende maior uso de pastagens e suplementação para acelerar a terminação e elevar o peso dos animais enviados ao abate (Foto: Divulgação)

O aumento do peso dos bovinos enviados ao abate pode elevar o faturamento por animal e reduzir o tempo de produção. A avaliação foi apresentada por especialista da SIA Serviço de Inteligência em Agronegócio nesta quinta-feira (3), durante o Painel de Engorda Intensiva do AgroDebates, programação realizada na 49ª Expointer, em Esteio (RS), pela Federação dos Clubes de Integração e Troca de Experiências (Federacite) e pelo Instituto Desenvolve Pecuária.


Para o diretor técnico da SIA, Armindo Barth Neto, parte da pecuária gaúcha ainda trabalha com uma estratégia baseada na venda de animais mais leves, o que limita o peso incorporado dentro da propriedade. Ele comparou esse modelo com sistemas adotados em outras regiões, especialmente no Paraná e no Centro-Oeste, onde, segundo o especialista, é mais comum trabalhar com animais mais pesados na recria e na terminação.


O parâmetro citado pelo diretor técnico é a diferença entre abater um animal com aproximadamente 460 quilos e conduzi-lo a 520, 530 ou até 600 quilos. Para alcançar esses pesos em menor período, ele apontou a combinação entre uma boa base forrageira e suplementação como ferramenta para acelerar o ganho e permitir que o animal expresse seu potencial produtivo.


Barth também relacionou a resistência à suplementação ao próprio modelo de comercialização adotado por parte dos produtores. Segundo ele, quando o objetivo está estabelecido em determinado peso de saída, nem sempre se calcula quanto poderia ser acrescentado ao animal dentro da propriedade e qual seria o retorno dessa estratégia.


A lógica, na avaliação do diretor técnico, começa ainda na aquisição do terneiro. Um animal mais pesado custa mais, mas pode reduzir o período necessário para chegar ao peso de abate, funcionando como uma forma de antecipar o ganho de tempo na produção. “Se eu compro um terneiro um pouco mais pesado, estou comprando tempo”, explicou Barth, ao defender que o custo adicional seja analisado em conjunto com a possibilidade de aumentar o peso e a receita na saída.


A estratégia também altera a forma de avaliar o animal que entra no sistema de recria e terminação. Barth citou como referência a preferência observada em outros Estados por terneiros de 210 a 240 quilos, enquanto parte dos animais comercializados no Rio Grande do Sul estaria na faixa de 180 a 190 quilos, segundo sua avaliação.


Para ele, a diferença de peso na entrada influencia toda a cadeia, porque modifica o período de permanência do animal no sistema e a quantidade de peso que pode ser produzida dentro da propriedade. O diretor técnico afirmou que a genética disponível no Estado não seria o principal entrave para aumentar o desempenho, mas que o modelo produtivo pode deixar parte desse potencial sem ser aproveitado.


A proposta apresentada no painel é substituir uma lógica de produção que Barth resumiu como “leve e devagar” por outra baseada em ganho de peso mais rápido e maior peso final. A mudança, segundo ele, depende do manejo adequado das pastagens e do uso de suplementação para acelerar e dar previsibilidade ao ganho de peso.


Na avaliação de Barth Neto, os efeitos podem alcançar diferentes elos da cadeia. O produtor de terneiros pode obter maior remuneração por animais mais pesados, enquanto quem realiza a recria e a terminação amplia a quantidade de peso produzida em determinado período; para a indústria, a consequência seria o recebimento de animais com maior peso de abate.





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