Palestra na Apil alerta que Reforma Tributária exige mudanças de gestão e na relação com fornecedores


A Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil) convidou a Ektos Contabilidade para o workshop “Reforma Tributária Muda Mais que Só Imposto”. O evento ocorreu nesta quinta-feira, (3), durante a 49° Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio(RS). A feira vai até domingo (6). O tema abordou os impactos abrangentes da reforma tributária além de questões fiscais diretas para o setor de laticínios.
Uma das palestrantes da Ektos, Adriana Zago, defendeu que a capacidade de adaptação das empresas diante das mudanças depende não apenas do conhecimento técnico, mas também da qualidade da gestão e da postura dos líderes. Segundo a especialista, compreender os processos internos da empresa é essencial para que as decisões sejam tomadas de forma eficiente.
Adriana destacou que aspectos contábeis e fiscais precisam estar alinhados à gestão de pessoas. “Para entender como uma máquina funciona, a gente precisa entender o processo de gestão, o processo contábil, o processo fiscal e também como funcionam as pessoas dentro da nossa empresa”, afirmou.
Ao abordar os impactos das transformações que chegam às empresas, a especialista defendeu uma postura de autorresponsabilidade. Segundo Adriana, o conceito não significa assumir a culpa por todos os problemas, mas reconhecer que cada gestor é responsável pela maneira como reage às situações. "Diante de cenários de mudanças, como o provocado pela reforma tributária, cabe aos gestores avaliar as alternativas disponíveis e definir como a empresa irá reagir às dificuldades", orientou.
Já Grasiela Deitos, também da Ektos, ressaltou que a reforma tributária vai exigir das empresas uma mudança de estratégia que ultrapassa a análise das novas alíquotas e dos valores que serão pagos em tributos. Segundo a especialista, um dos principais impactos da reforma estará nos processos de gestão, controle e organização das empresas. Para Grasiela, será necessário compreender como as novas regras vão interferir no funcionamento interno dos negócios. “A reforma não é só olhar para as alíquotas de troca. Não é só olhar para o resultado no pagamento, se vai ter que pagar mais ou não. É preciso olhar para toda a parte de gestão e controle, que, de certo modo, vai ser o grande diferencial”, afirmou.
Grasiela destacou que o atual sistema tributário brasileiro é marcado pela complexidade, com diferentes tributos e regras entre União, Estados e municípios, além de elevados custos de conformidade para as empresas. Na avaliação dela, a adoção do modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) representa uma mudança na lógica de funcionamento do sistema. “Ele não é só um imposto novo. É uma lógica nova de tratamento e de gestão”, disse.
Já para Lilian Carniel, também da equipe da Ektos, a reforma tributária deverá provocar mudanças importantes na rotina das empresas, especialmente na gestão dos créditos tributários, nos cadastros de fornecedores e nos sistemas de gestão. Segundo a especialista, o atual sistema de PIS e Cofins impõe limitações à tomada de créditos relacionados aos itens utilizados na produção.
Com a implementação do novo modelo, as empresas terão de adotar uma nova forma de analisar suas operações e os tributos incidentes sobre a cadeia. “Hoje, dentro do PIS e Cofins, nós não podemos fazer crédito de todos os itens que envolvem a nossa produção. É um sistema muito limitado. No futuro, vamos ter um plano de maior abrangência e mais compreensível”, afirmou.
Lilian destacou que, com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a apropriação de créditos estará diretamente relacionada ao recolhimento do imposto na etapa anterior da cadeia. Para ela, essa mudança exigirá das empresas uma nova postura na relação com fornecedores. “Nós vamos poder pegar crédito de tudo, desde que o fornecedor tenha pago seu imposto. Esse é um item importantíssimo”, disse.
O presidente da Apil, Fernando Zimmermann destacou que a entidade decidiu promover o encontro diante da necessidade de ampliar o conhecimento do setor sobre as novas regras tributárias e seus possíveis efeitos nos negócios. “É uma preocupação nossa, dadas essas grandes mudanças que vão acontecer e que vão impactar muito os nossos laticínios e os nossos negócios. E não só a nós: vão impactar também os nossos produtores de leite”, afirmou.
O presidente da Apil destacou a participação dos representantes das indústrias no evento e avaliou que o encontro contribuiu para esclarecer dúvidas sobre a reforma tributária. Ao mesmo tempo, reconheceu que a discussão também abriu novos questionamentos entre os participantes. “Essa chamada que a gente fez aqui foi tão bem atendida, com tantos laticínios presentes, justamente para tirar algumas dúvidas. A gente saiu daqui com outras dúvidas, mas já deu para clarear muita coisa, muita informação”, disse.
O dirigente ressaltou ainda que o objetivo é contribuir para que empresas e produtores tenham condições de se preparar para as transformações e manter a atividade produtiva. “De alguma maneira, queremos auxiliar e incentivar a continuidade da produção, tanto da nossa indústria quanto do nosso produtor de campo”, concluiu.





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