Simpósio em Belo Horizonte terá painéis sobre roteiros e comercialização do olivoturismo


Transformar a visita a um olival em uma experiência turística completa, organizada e comercializável é um dos principais desafios para o desenvolvimento do olivoturismo no Brasil. O tema estará no centro das discussões do 2º Simpósio Nacional de Olivoturismo, que será realizado no dia 29 de outubro, na sede da Fecomércio-MG, em Belo Horizonte. O encontro reunirá produtores, profissionais do turismo, gastronomia e outros representantes da cadeia para discutir como aproximar a produção de azeites do mercado de experiências e dos roteiros turísticos.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, o Brasil já construiu uma importante reputação pela qualidade de seus azeites, mas precisa avançar na utilização desse diferencial para criar novas oportunidades econômicas no campo. “Nosso desafio agora é utilizar essa qualidade do azeite para possibilitar que aqueles que têm interesse vivenciem essas experiências nas propriedades, em rotas de turismo tendo como base o olivoturismo”, afirma.
A programação do simpósio foi estruturada justamente para discutir os diferentes passos necessários para consolidar essa atividade. A abertura das propriedades para receber visitantes envolve desde políticas públicas e organização dos espaços até qualificação do atendimento, criação de experiências e aproximação com agências e operadoras de turismo.
O primeiro painel, “Olivoturismo como política pública e produto turístico”, vai abordar a necessidade de inserir o segmento nas estratégias de desenvolvimento turístico. A discussão parte da compreensão de que o olivoturismo pode beneficiar não apenas as propriedades produtoras, mas também restaurantes, hotéis, comércio, transporte e outros serviços dos municípios e regiões produtoras. Na sequência, o painel “Do olival ao roteiro: como transformar uma propriedade em produto turístico” tratará de um dos principais desafios para os produtores: preparar a propriedade para receber visitantes e transformar a produção rural em uma experiência estruturada.
Para Obino Filho, esse processo é fundamental para que o olivoturismo avance no país. Ele cita como referência experiências desenvolvidas no exterior, inclusive no Uruguai, onde a produção de olivas já está associada ao turismo rural. “Em todo mundo o azeite de oliva caminha de mãos dadas com o olivoturismo. No Uruguai, aqui do lado, nós temos exemplos sensacionais de turismo no setor rural baseado na produção de olivas. E aqui no Brasil nós estamos ainda engatinhando”, observa.
O simpósio também pretende apresentar iniciativas que já estão sendo desenvolvidas no país. O painel “Cases de sucesso: olivoturismo pelo Brasil” reunirá experiências de Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, permitindo aos participantes conhecer modelos de visitação e estratégias adotadas por propriedades para integrar produção e turismo.
A troca de experiências ganha importância diante da expansão da olivicultura brasileira e da busca dos produtores por novas formas de agregar valor à produção. Na avaliação do presidente do Ibraoliva, o turismo pode representar uma nova atividade econômica associada à produção de azeites. “Certamente teremos uma nova atividade econômica muito forte no nosso país, além da produção dos azeites”, afirma.
Outro desafio será discutido no painel “Como vender olivoturismo: da propriedade para o mercado”. A proposta é aproximar produtores, agências, operadoras e demais integrantes da cadeia turística para discutir como as experiências desenvolvidas nos olivais podem ser transformadas em produtos comercializáveis e incorporadas a roteiros.
Para o presidente do Ibraoliva, essa aproximação é essencial para que o visitante não apenas conheça a produção, mas tenha acesso a uma experiência completa relacionada ao azeite. “São essas visitações, essas experiências que envolvem o azeite, do pomar à prateleira, do pomar até a mesa do consumidor”, resume.
A programação será encerrada com o painel “Gastronomia, território e experiência”, que discutirá a relação entre o azeite, a gastronomia e a identidade das regiões produtoras. A proposta é mostrar como degustações, culinária, paisagens, cultura e produção rural podem ser integradas para criar experiências diferenciadas para os visitantes. A gastronomia também amplia o potencial econômico do olivoturismo, já que uma visita ao olival pode ser combinada com restaurantes, hospedagem, passeios e outros atrativos locais. Dessa forma, os benefícios da atividade podem ultrapassar os limites da propriedade produtora e alcançar diferentes segmentos da economia regional.
Na visão de Flávio Obino Filho, esse é justamente um dos caminhos para aproximar o campo e a cidade. “Essa nova forma de integração entre o urbano e o rural tem como ponto de partida a qualidade dos azeites produzidos no Brasil", ressalta. “Hoje eu não minto quando falo que o melhor azeite produzido no mundo, em média, é o brasileiro. Nós fizemos uma opção pela qualidade e essa qualidade é hoje sinônimo de premiações em todos os concursos internacionais e reconhecimento internacional”, conclui.





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