top of page

COI discute estabilidade da produção e controle de azeites na terceira visita ao Brasil

Foto do escritor: Nestor Tipa Júnior
Nestor Tipa Júnior
há 4 horas
3 min de leitura
Missão passou por propriedades gaúchas e abordou a qualidade dos produtos importados, a formação de analistas sensoriais e o ingresso brasileiro no organismo internacional (Foto: Divulgação)
Missão passou por propriedades gaúchas e abordou a qualidade dos produtos importados, a formação de analistas sensoriais e o ingresso brasileiro no organismo internacional (Foto: Divulgação)

A estabilidade da produção brasileira de azeite e a necessidade de ampliar o controle sobre a qualidade dos produtos importados estiveram entre os principais assuntos discutidos durante a terceira visita consecutiva do Conselho Oleícola Internacional (COI) ao Brasil. A missão percorreu propriedades nas regiões de Bagé e Canguçu (RS), onde representantes do organismo conheceram pomares, lagares e os sistemas de produção utilizados pelos olivicultores brasileiros.


Na avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, o contato com os representantes internacionais permitiu apresentar os avanços da produção nacional e discutir dificuldades que ainda precisam ser superadas. Entre elas está a oscilação do volume produzido entre as safras, que interfere na capacidade de abastecimento do mercado. “Tivemos a oportunidade de mostrar nossos modernos lagares, nossos pomares e discutir um pouco sobre os desafios. Eles envolvem ter estabilidade produtiva, ou seja, repetir anualmente uma produção de azeite que nos permita manter os clientes conquistados”, afirma.


A qualidade do azeite brasileiro também voltou a ser tema dos encontros. Segundo Obino Filho, os representantes do COI reconheceram as características dos produtos nacionais, resultado de uma opção dos olivicultores por sistemas voltados à obtenção de azeites extravirgens de qualidade, mesmo com volumes ainda reduzidos diante dos principais países produtores. “Demonstramos que o nosso azeite brasileiro, na média, é o melhor azeite do mundo, porque fizemos a opção pela qualidade e não pela quantidade”, relata.


Outro assunto abordado foi a fiscalização dos azeites importados, especialmente em relação à classificação apresentada nos rótulos. O presidente do Ibraoliva afirma que a entidade tem trabalhado com o Ministério da Agricultura e Pecuária para identificar produtos que chegam ao mercado brasileiro com características incompatíveis com a categoria extravirgem. “Não podemos mais admitir que azeites de baixíssima qualidade, às vezes lampantes, entrem no país rotulados como extravirgens para concorrer com o verdadeiro extravirgem que é feito no Brasil”, salienta.


Obino Filho considera que o entendimento do COI sobre essa preocupação dos produtores brasileiros pode contribuir para o aperfeiçoamento das normas e dos mecanismos de fiscalização. O dirigente lembra que o Brasil figura entre os maiores importadores mundiais de azeite e possui um mercado consumidor com possibilidades de expansão. Para ele, a correta identificação dos produtos é necessária para proteger o consumidor e estabelecer condições adequadas de concorrência.


A entrada do Brasil no Conselho Oleícola Internacional também esteve entre os temas tratados durante a missão. O presidente do Ibraoliva afirma que os produtores e o Ministério da Agricultura trabalham conjuntamente desde o início das aproximações com o organismo para viabilizar a participação brasileira. “O COI trabalha pela adesão do Brasil ao Conselho e estamos na reta final dessa adesão. Com isso, estaremos junto dos principais participantes do mercado mundial para tratar de assuntos relacionados ao nosso mercado”, explica.


A terceira visita dá sequência ao trabalho iniciado em 2024, quando representantes do COI estiveram no Rio Grande do Sul para conhecer propriedades e unidades de produção, além de participar de reuniões com autoridades federais. Naquele ano, as discussões concentraram-se no relacionamento governamental e na possibilidade de ingresso do país no organismo. Em 2025, as atividades se estenderam a produtores da região da Mantiqueira, em São Paulo e Minas Gerais, e passaram a contemplar ações de capacitação direcionadas ao varejo e à gastronomia.


Neste ano, além das visitas aos olivais gaúchos, a programação incluiu encontros com produtores em Porto Alegre e Bagé e uma nova etapa de formação de especialistas em análise sensorial. Esses profissionais poderão integrar painéis responsáveis pela avaliação das características dos azeites, identificando atributos e possíveis defeitos que determinam sua classificação nas categorias virgem e extravirgem.


Para Obino Filho, a formação desses técnicos é uma das necessidades do mercado brasileiro, especialmente diante do volume de produtos importados e da expansão da produção nacional. “Esses painéis são importantíssimos quando se fala em qualidade, quando se pensa em ter rastreabilidade do azeite importado e análise sensorial dos azeites produzidos no Brasil e no exterior, para que o consumidor seja protegido e saiba que está consumindo o verdadeiro azeite extravirgem”, observa.


A programação do COI no Brasil também contempla atividades com profissionais de restaurantes e representantes do varejo no Rio de Janeiro, dando continuidade às ações de divulgação das características do azeite extravirgem. A campanha internacional de promoção do consumo no mercado brasileiro está prevista para o período de 2024 a 2027, com iniciativas desenvolvidas em parceria com o Ibraoliva e o Ministério da Agricultura.



Comentários


bottom of page