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Laudo do Mapa confirma que azeites importados mais consumidos no Brasil não são extravirgem

  • Foto do escritor: Ieda Risco
    Ieda Risco
  • há 5 horas
  • 3 min de leitura
Ibraoliva cobra maior controle dos azeites importados, Ministério Público diz que laudo confirma fraudes e nutricionista explica quais são os benefícios encontrados somente nos azeites extravirgens (Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)
Ibraoliva cobra maior controle dos azeites importados, Ministério Público diz que laudo confirma fraudes e nutricionista explica quais são os benefícios encontrados somente nos azeites extravirgens (Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)

Atendendo a determinação judicial em ação civil pública movida pelo Ministério Público em São Paulo, o Ministério da Agricultura, através de seu laboratório de análises sensoriais, examinou uma série de azeites vendidos nos supermercados brasileiros como extravirgem. Segundo os laudos, rótulos de marcas como Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour, entre outras, apresentadas como extravirgem, foram identificadas na realidade como azeites virgens. Já rótulos de marcas como Costa D’Oro e Terras de Camões foram classificadas pelo laboratório oficial como lampantes, considerados impróprios para consumo.


A análise foi determinada em uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), em São Paulo, em face do Ministério da Agricultura e da Anvisa, que investiga fraudes no mercado de azeites extravirgens comercializados no Brasil e que busca a adoção de medidas judiciais que intensifiquem o controle sobre a importação de azeite a granel e já envasados. Com a divulgação dos laudos pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), do Ministério da Agricultura, e que foi responsável pelas análises sensoriais dos azeites coletados, a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn afirma que o processo entra em uma nova etapa, com a adoção de medidas judiciais baseadas nos resultados das análises. "Vamos fazer alguns requerimentos ao juízo em torno do que já foi pedido na ação inicial, porque, de fato, e mesmo havendo ainda algumas análises pendentes, as nossas suspeitas se confirmaram", afirmou a procuradora. Segundo ela, as análises oficiais apontam a existência de fraudes em azeites a granel, desconformidades em produtos importados e indícios de fraude também em parte desses azeites comercializados no país.


Na avaliação da procuradora, os resultados também evidenciam um problema que ultrapassa a rotulagem e composição dos produtos e alcança a proteção da saúde pública. "Há produtos altamente comercializados no Brasil, inclusive por plataformas digitais, que estão sendo oferecidos à população como azeite, quando, na realidade, são azeite lampante, ou seja, óleos não refinados impróprios para o consumo humano", alertou Karen. Ela ressalta que a comercialização desses produtos representa "risco sério e concreto à saúde pública" e acrescenta que o MPF ainda avalia quais providências adicionais serão requeridas à Justiça no decorrer da ação.


As análises sensoriais realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em azeites comercializados no Brasil reacenderam o debate sobre a qualidade dos produtos oferecidos aos consumidores. Na avaliação do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), os resultados reforçam a necessidade de ampliar o controle sobre os produtos importados comercializados como extravirgem, garantindo que a classificação informada nos rótulos corresponda às características efetivamente encontradas no produto.


O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, disse que os resultados confirmam denúncias feitas pela entidade, que representa os produtores brasileiros. “Os laudos técnicos confirmam denúncias feitas reiteradamente pela instituição. São azeites velhos, com defeito, descartados pelos europeus, que chegam às prateleiras dos supermercados como extravirgem e são, na verdade, virgens, azeites de baixa qualidade que não podem ser comparados com o azeite extravirgem superpremium produzido no Brasil”, afirma.


Obino diz que os resultados ajudam a explicar a diferença de preço em comparação com o azeite brasileiro. “São azeites normalmente com ranço, mofo, sem frutado, que provavelmente ficam armazenados por anos e depois são despejados no mercado brasileiro”, afirma. O dirigente completa que “é óbvio que este tipo de azeite tem que ser mais barato que o azeite extravirgem de verdade produzido no Brasil”.


A nutricionista Isabel Kasper explica que a classificação do azeite não representa apenas uma diferença comercial, mas também está relacionada às propriedades nutricionais do alimento. Segundo ela, todo azeite de oliva apresenta predominância de ácido oleico, uma gordura monoinsaturada associada à proteção cardiovascular. Entretanto, o azeite extravirgem reúne um diferencial importante.


Conforme Isabel, "além da composição lipídica favorável à saúde, apenas o azeite extravirgem possui uma pequena, mas importantíssima, fração de compostos bioativos, entre eles os polifenóis e outros antioxidantes". Ela ressalta que essas substâncias estão associadas à proteção da saúde cerebral, intestinal, ao auxílio no controle de processos inflamatórios e, segundo alguns estudos, podem contribuir para reduzir o risco de determinadas doenças.


A nutricionista observa que esses compostos, só encontrados em quantidade no azeite extravirgem, são preservados apenas quando a matéria-prima apresenta elevada qualidade e o processamento ocorre dentro de rigorosos padrões técnicos. Com o passar do tempo, explica ela, essas substâncias também se degradam naturalmente, reduzindo parte dos benefícios funcionais do alimento.


Já o azeite classificado como virgem mantém a composição de gorduras considerada saudável, mas apresenta quantidade muito menor desses compostos bioativos. No caso do azeite lampante, Isabel explica que ele é impróprio para o consumo em seu estado original.



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