Ibraoliva defende rotas regionais para ampliar renda com olivoturismo


A criação de rotas regionais que combinem visitas a olivais, degustação de azeites, gastronomia e outros atrativos foi defendida como alternativa para ampliar a renda dos produtores durante o 2º Simpósio Nacional de Olivoturismo, realizado nesta quinta-feira (29), em Belo Horizonte (MG). O encontro, correalizado pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e pela Fecomércio MG, reuniu representantes da cadeia produtiva, profissionais do turismo e empreendedores para discutir a estruturação e a comercialização dessas experiências.
Durante a abertura, o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defendeu que o desenvolvimento do olivoturismo considere as características de cada região e a integração com outras atividades econômicas. “Não se pode pensar em olivoturismo como algo isolado. Temos que pensar em pequenas rotas, agregando outros produtos, como queijo, café, vinho e carne de cordeiro”, afirmou.
Na avaliação de Obino Filho, a atividade turística pode representar uma fonte de receita para as propriedades, além da comercialização do azeite, e contribuir para a permanência de jovens no campo. “Quando vemos o resultado dos produtores de azeite, geralmente o resultado positivo não vem da venda do azeite, mas da experiência de turismo associada ao produto”, destacou.
O dirigente citou experiências no Sul de Minas Gerais, no norte de São Paulo, em todo o estado do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, para defender a participação dos municípios e dos governos estaduais na organização dos roteiros. Ele também mencionou iniciativas desenvolvidas no Uruguai e ressaltou a necessidade de envolver agências de viagens, operadoras e empreendimentos gastronômicos na preparação das propriedades para receber visitantes.
A possibilidade de diversificação econômica ocorre em um momento de crescimento da olivicultura brasileira, mas também de dificuldades relacionadas às condições climáticas. Obino lembrou que a produção nacional alcançou 1,434 milhão de litros de azeite em 2026, estabelecendo um novo recorde histórico e superando em 124% a marca anterior, de aproximadamente 640 mil litros, registrada em 2023. Entretanto, alertou para as oscilações entre safras provocadas principalmente pelo excesso de umidade.
Segundo os números apresentados pelo presidente, o Brasil possui aproximadamente 10,3 mil hectares de olivais, distribuídos por cerca de 280 municípios em oito estados, reunindo mais de 620 produtores. Para enfrentar a instabilidade produtiva, ele apontou a pesquisa como prioridade da atual diretoria do instituto, especialmente na avaliação de variedades e na adaptação das oliveiras às condições brasileiras. “O nosso foco é pesquisa, porque não podemos conviver com essa montanha-russa da produção”, salientou.
O simpósio contou com cinco painéis que abordaram o olivoturismo como política pública e produto turístico, a transformação de propriedades em destinos de visitação e a apresentação de experiências desenvolvidas no Brasil. A programação também tratou da comercialização dos roteiros por agências e operadoras, além da relação entre azeite, gastronomia e identidade regional.
Entre as experiências apresentadas estiveram iniciativas do Azeite Fio de Ouro, em Maria da Fé (MG), da Olibi, em Aiuruoca (MG), e do Azeite Monasto, produzido na Fazenda Santa Helena, também em Maria da Fé. Os debates reuniram ainda representantes do poder público, da Fecomércio MG, do Sesc, do Senac e de entidades ligadas ao turismo para tratar de aspectos como recepção de visitantes, organização de experiências e acesso ao mercado.
O encontro teve apoio da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A programação foi encerrada com considerações dos organizadores e uma experiência de degustação de azeites brasileiros, reunindo produtores e profissionais do turismo.





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